14 de janeiro, 2007 - 16h00 GMT (14h00 Brasília)
O presidente da Nicarágua, Daniel Ortega, deu na noite de sábado as boas-vindas ao seu equivalente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad, na segunda etapa da viagem do líder árabe por países latino-americanos.
No domingo, em seu quarto dia no poder – o presidente nicaragüense tomou posse na quarta-feira – Ortega, que tem uma longa história de desavenças com os Estados Unidos, discutirá acordos comerciais com um dos mais incisivos críticos de Washington.
"Tentaremos expandir e fortalecer os laços nesta visita e nestas negociações", disse Ahmadinejad antes de chegar a Manágua, segundo a agência France Presse.
Ortega foi eleito com a expectativa de ativar programas de combate à pobreza, e analistas estimam que o Irã, abastecido pelo petróleo, pode ser um aliado importante do líder marxista.
Venezuela
No sábado, Ahmadinejad e o presidente venezuelano, Hugo Chávez, propuseram um corte na produção de petróleo por parte dos membros da Organização de Países Exportadores de Petróleo (Opep).
Depois de uma reunião no Palácio de Miraflores, sede do governo venezuelano, os dois presidentes declararam que coordenarão um grupo para estudar a redução.
Os dois países também concordaram em criar um fundo de US$ 2 bilhões (cerca de R$ 4,5 bilhões) para subsidiar projetos situados nos países em desenvolvimento.
Chávez recebeu o presidente iraniano chamando-o de "um lutador por causas justas, um revolucionário e um irmão".
Depois de Venezuela e Nicarágua, Ahmadinejad visitará o Equador, país que recentemente elegeu o líder de esquerda Rafael Correa.
Rebeldia
Um correspondente da BBC na América Latina, Duncan Kennedy, disse que as reuniões do líder iraniano com críticos dos Estados Unidos na América Latina devem soar o alarme em Washington.
Segundo ele, no momento em que o governo do presidente George W. Bush volta suas atenções para o Oriente Médio – a secretária de Estado americana, Condoleezza Rice, está em um giro pela região – o último desejo de Washington é ver a abertura de uma nova frente diplomática em sua esfera de influência.