12 de janeiro, 2007 - 17h39 GMT (15h39 Brasília)
O secretário de Defesa dos Estados Unidos, Robert Gates, disse que não existe cronograma a ser cumprido pelo governo iraquiano para comprovar sua capacidade de assumir responsabilidades na nova estratégia americana para o Iraque.
Diante de uma audiência de senadores, o secretário respondeu a questionamentos e defendeu a estratégia americana de aumentar em mais de 20 mil o número de soldados americanos no Iraque, que hoje somam entre 140 mil e 160 mil.
Gates afirmou que o envio das tropas será gradual, o que possibilitará aos americanos avaliar o fortalecimento ou não do governo do presidente iraquiano, Nouri Maliki.
"Antes que tenhamos enviado vários soldados adicionais, teremos uma boa idéia se pelo menos no campo militar os iraquianos estão melhorando no sentido de cumprir todos os seus compromissos", declarou o secretário.
Compromisso
O comprometimento dos iraquianos é uma parte fundamental do plano anunciado por Gates na quarta-feira.
Segundo o secretário, os Estados Unidos podem rever sua estratégia se os líderes iraquianos não se mostrarem capazes de assumir a segurança do país.
Ao adotar este posicionamento, o presidente americano, George W. Bush, ignorou diferentes recomendações por uma retirada gradual das tropas do Iraque.
"Em uma situação volátil como essa, cada vez que você anuncia um cronograma específico para a partida, basicamente você dá aos adversários a confiança de que basta eles esperarem você sair", disse Robert Gates à comissão do Senado americano.
Críticas
Nesta quinta-feira, parlamentares dos dois principais partidos políticos americanos criticaram o plano de elevar o envolvimento militar dos Estados Unidos no Iraque.
Os líderes democratas do Senado e da Câmara dos Representantes, Harry Reid e Nancy Pelosi, divulgaram um comunicado em que manifestaram oposição à medida.
O presidente da Comissão de Relações Exteriores do Senado americano, o também democrata Joseph Biden, chamou a iniciativa de "erro trágico".
Já o senador republicano Chuck Hagel disse: "O discurso deste presidente representa o erro mais perigoso de política externa neste país desde o Vietnã".