11 de janeiro, 2007 - 19h37 GMT (17h37 Brasília)
O Ministério do Exterior iraniano convocou os embaixadores do Iraque e da Suíça, que representam os interesses americanos em Teerã, para protestar contra uma operação de forças americanas na cidade de Irbil, no norte do Iraque.
A operação criou mais um foco de tensão entre Washington e Teerã. De acordo com autoridades militares americanas, seis iranianos foram detidos na operação. O Irã diz que cinco iranianos foram presos.
Um porta-voz do Pentágono afirmou que os detidos eram suspeitos de envolvimento em atividades contra as forças iraquianas e da coalizão liderada pelos Estados Unidos.
Inicialmente, autoridades iranianas disseram que a ação ocorreu no consulado do Irã na cidade. Mais tarde, no entanto, um porta-voz do ministério, Mohammad Ali Hosseini, esclareceu que as prisões foram realizadas em um "escritório de representação".
De acordo com o Irã, helicópteros americanos pousaram no telhado do escritório de representação e entraram no prédio à força. Veículos militares teriam fechado as ruas enquanto soldados americanos apreendiam documentos e computadores.
Tensão
A nova disputa se inicia em meio ao anúncio de que os Estados Unidos enviarão mais de 21 mil soldados adicionais ao Iraque para controlar a violência que assola o país.
A secretária de Estado americana, Condoleezza Rice, disse que a situação no Iraque é "inaceitável", e afirmou que os Estados Unidos tomarão medidas contra qualquer país que tente desestabilizar o regime pós-Saddam Hussein.
Em resposta, o porta-voz do Ministério do Exterior iraniano disse que a crise é uma tentativa de Washington de encontrar um bode expiatório para a situação no Iraque.
"A operação americana é contrária às convenções e tratados internacionais. Naturalmente, para justificar seus atos, eles (os americanos) exportam sua crise e equivocadamente acusam o Irã", declarou Hosseini.
Reações
Em Washington, o senador democrata Joseph Biden, que preside o Comitê de Relações Exteriores do Senado, disse que a estratégia americana de aumentar o número de soldados no Iraque é "um erro trágico", e não proporcionará solução final para a instabilidade no país.
O senador republicano pelo Estado de Nebraska, Chuck Hagel, descreveu o plano como o "equívoco" mais perigoso da política americana desde a Guerra do Vietnã.
Já os líderes do Senado e da Câmara dos Representantes, Harry Reid e Nancy Pelosi, divulgaram um comunicado em que manifestaram oposição à escalada do envolvimento militar americano no Iraque.
"Aumentar nosso envolvimento militar no Iraque passa exatamente a mensagem errada, e vamos nos opor a isto", diz o texto.
Em Bagdá, um porta-voz do partido do governo, Al Dawa, disse que o governo iraquiano está "comprometido com todos os aspectos da estratégia (americana no país)".