09 de janeiro, 2007 - 13h55 GMT (11h55 Brasília)
A Justiça em Milão iniciou nesta terça-feira uma audiência para decidir se vai indiciar ou não 25 supostos agentes da CIA e vários italianos envolvidos no seqüestro de um clérigo muçulmano em 2003.
Osama Mustafa Hassan, também conhecido como Abu Omar, foi seqüestrado nas ruas de Milão e afirma que foi levado para o Egito, onde teria sido torturado.
O caso foi um exemplo da política americana batizada de "rendição", a transferência de suspeitos de terrorismo para outros países, com o objetivo de interrogá-los.
Se a Justiça decidir continuar com o julgamento será o primeiro ligado à polêmica prática.
Interrogatório
Promotores afirmam que o clérigo, que era suspeito de envolvimento com terrorismo, foi levado de uma rua de Milão até a base base aérea de Aviano, ao norte de Veneza e, de lá, para Alemanha. Em seguida, ele foi transportado para o Egito onde foi interrogado secretamente durante seis meses.
Os promotores alegam que o serviço secreto italiano cooperou com a operação da CIA, realizando o seqüestro.
Vinte e seis italianos foram citados no caso, 25 deles seriam agentes da CIA e um oficial na base aérea de Aviano.
Nenhum dos americanos acusados estaria na Itália e correspondentes afirmam que é pouco provável que os Estados Unidos extraditem estes acusados para o julgamento.
Entre os acusados está o chefe da CIA em Milão e agora aposentado Robert Seldon Lady, que teria sido levado de volta dos Estados Unidos às pressas, deixando para trás a casa que comprou na Itália com as economias feitas durante toda a vida.
O investigador-chefe, Armando Spataro, pediu que o governo do primeiro-ministro Romano Prodi peça a extradição dos suspeitos que estão nos Estados Unidos.
O governo ainda não afirmou se vai acatar o pedido, que foi rejeitado pelo governo anterior, do primeiro-ministro Silvio Berlusconi.
Entre os italianos acusados de participação no seqüestro está o ex-chefe do serviço secreto militar italiano, Nicolo Pollari. Pollari perdeu seu posto recentemente depois de um inquérito parlamentar.
Nenhum dos réus estava presente para a audiência, que deve durar vários dias.
Abu Omar, que teve seu pedido de asilo aceito na Itália, ainda está detido no Egito.