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08 de janeiro, 2007 - 18h18 GMT (16h18 Brasília)

Estatal russa assume corte no fornecimento de petróleo à Europa

A estatal russa Transneft admitiu nesta segunda-feira que cortou o fornecimento para um importante oleoduto que transportava petróleo da Rússia para a Polônia e a Alemanha.

A Transneft afirma que tomou a medida porque a República da Belarus estaria roubando petróleo no trecho do oleoduto que cruza o território do país.

Na manhã desta segunda-feira, a Polônia e a Alemanha já haviam reclamado do corte no fornecimento, mas disseram que possuem reservas de petróleo suficientes para os próximos meses. Mesmo assim, a União Européia exigiu da Rússia explicações pelo corte.

O canal de fornecimento de Druzhba, controlado pela Transneft, amanheceu completamente seco na fronteira de Belarus com a Polônia, de acordo com autoridades polonesas.

A disputa entre Rússia e Belarus começou depois que o governo russo se recusou a pagar um imposto pelo transporte do petróleo pelo país vizinho, levando os bielo-russos a entrar com uma ação legal. A Rússia afirma que a cobrança do imposto por Belarus é ilegal.

Embora tenha exigido explicações, a União Européia disse que o corte no fornecimento não representa um risco para o fornecimento do continente por causa de outros estoques existentes.

A União Européia afirmou ainda que está avaliando em que medida o problema afeta o fornecimento da Rússia, pela Eslováquia, rumo à região sul da Europa.

Preocupações

"Contatei as autoridades da Rússia e de Belarus, pedindo a eles que tomem providências urgentes e solicitando uma explicação imediata sobre a situação", disse o comissário Europeu de Energia, Andris Piebalgs.

A Comissão Européia de Energia estuda em que medida os países-membros terão de usar reservas estratégicas para assegurar o seu consumo interno, segundo Piebalgs.

O vice-ministro da Economia da Polônia, Piotr Nalmski, disse que seu país tem petróleo suficiente para 80 dias, mas atacou a decisão russa.

"Isto mostra mais uma vez que procedem os argumentos que dizem que o fornecimento e transporte nos países da ex-União Soviética não são confiáveis", disse Nalmski, em entrevista à BBC.

O ministro da Economia alemão, Michael Glos, disse que vê o episódio com preocupação e convocou Rússia e Belarus a se reunirem para discutir suas responsabilidades "o mais rápido possível".

As autoridades de Belarus dizem que todos os questionamentos devem ser feitos à Transneft, em Moscou.

Briga se acirra

A decisão do corte do transporte de petróleo pelo oleoduto de Druzhba (que é o mais longo do mundo, com cerca de 4 mil quilômetros), é o mais novo capítulo na briga entre os dois países sobre energia.

Os impasses começaram a gigante energética russa Gazprom forçou Belarus a aceitar um forte aumento nos preços de importação do gás russo.

Na semana passada, Belarus deu sua resposta ao dizer que vai cobrar US$ 45 (cerca de R$ 96) por tonelada de petróleo russo que passar por seu território.

As notícias sobre a tensão entre os dois países elevaram o preço do produto para US$ 57 (cerca de R$ 122), depois de ter chegado a US$ 55 (R$ 118) na semana passada.

A variação também foi estimulada por rumores que diziam que a Arábia Saudita, maior produtor mundial, planeja cortar sua produção diária em cerca de 158 mil barris diários, levando o fornecimento para cerca de 8,5 milhões de barris diários.