06 de janeiro, 2007 - 18h04 GMT (16h04 Brasília)
O presidente palestino, Mahmoud Abbas, declarou, neste sábado, que um grupo paramilitar ligado ao Hamas e que atua na Faixa de Gaza é ilegal.
O grupo, chamado de "força executiva", foi formado pelo Hamas no ano passado. Os seus integrantes têm estado em confronto com as principais forças de segurança palestinas, controladas por Abbas.
O presidente palestino havia concordado em integrar a unidade do Hamas às atuais forças, mas as negociações acabaram fracassando.
Na quinta-feira, integrantes da "força executiva" atacaram a casa de um comandante de um grupo leal ao Fatah, partido de Abbas. Ele e vários de seus guarda-costas foram mortos.
"Tendo em vista o caos constante e o assassinato de vários integrantes das forças de segurança...e o fracasso em impor a ordem e a lei para proteger os nossos cidadãos, o presidente Mahmoud Abbas decidiu reformar as forças de segurança e sua liderança e declarar a força executiva - comandantes e integrantes - ilegal", dizia o comunicado divulgado pelo escritório da Presidência palestina.
Em resposta, Ismail Shahwan, porta-voz da "força executiva", disse que o grupo decidiu dobrar o número de seus integrantes para 12 mil homens.
Um porta-voz do Ministério do Interior, controlado pelo Hamas, acusou Abbas de dar o "sinal verde" para ataques contra integrantes do grupo.
Apoio dos EUA
O anúncio é o mais recente acontecimento na disputa entre o Fatah - Abbas foi eleito em eleições presidenciais separadas - e o Hamas, que está no poder há cerca de um ano depois de vencer eleições parlamentares.
A briga entre os dois grupos palestinos gira em torno do controle sobre as forças de segurança.
Segundo a agência de notícias Reuters, o governo americano está planejando fornecer U$ 86, 4 milhões às forças palestinas leais a Abbas.
A agência citou um documento do governo dizendo que o dinheiro iria "ajudar a Autoridade Palestina a honrar os seus compromissos...a desmontar a infra-estrutura de terrorismo e estabelecer a lei e a ordem".
Encontro
Na sexta-feira, Abbas e o primeiro-ministro palestino, Ismail Haniya, se encontraram pela primeira vez em dois meses.
Depois da reunião, Haniya disse que eles iriam pedir calma e defender o retorno às negociações para formar um governo de unidade nacional.
O Fatah defende a criação de um Estado palestino ao lado do Estado israelense, enquanto o Hamas não reconhece o direito de existir de Israel.