05 de janeiro, 2007 - 13h41 GMT (11h41 Brasília)
As circunstâncias do enforcamento de Saddam Hussein transformaram o ex-líder iraquiano em um mártir, afirmou o presidente do Egito, Hosni Mubarak, em uma entrevista publicada nesta sexta-feira.
Mubarak disse ao jornal israelense Yediot Ahronot que as imagens não-oficiais da execução de Saddam eram “revoltantes e bárbaras”. A entrevista foi reproduzida também pela agência oficial de notícias egípcia.
As cenas caóticas da execução, durante a qual Saddam foi insultado, receberam condenação em todo o mundo.
O Egito é um importante aliado regional dos Estados Unidos e um dos dois únicos Estados árabes a ter assinado um tratado de paz com Israel, ao lado da Jordânia.
Mubarak havia aconselhado fortemente os Estados Unidos a não liderarem a invasão ao Iraque em 2003 na qual Saddam Hussein foi deposto.
Mensagem
As autoridades americanas, incluindo Bush, procuraram se distanciar da maneira como a execução foi feita, mas insistiram que a Justiça havia prevalecido.
“Pessoas são executadas em todo o mundo, mas o que aconteceu em Bagdá no primeiro dia do Eid al-Adha foi impensável. Não acreditei que isso pudesse estar acontecendo”, disse Mubarak.
“Por que eles tinham que correr? Por que enforcá-lo quando as pessoas estão recitando suas preces do feriado? E depois, as imagens da execução foram revoltantes e bárbaras”, afirmou.
“Eu não estou dizendo se Saddam merecia ou não a pena de morte. Também não estou colocando em questão se o tribunal foi justo (com o país) sob ocupação.”
As relações entre o Egito e o Iraque eram amistosas até a invasão iraquiana do Kuwait, em 1990.
O Egito participou militarmente na coalizão internacional que expulsou as forças iraquianas do Kuwait.