03 de janeiro, 2007 - 04h17 GMT (02h17 Brasília)
O primeiro-ministro do Iraque, Nouri Maliki, afirmou que não vai buscar um segundo mandato e que gostaria de encerrar o atual antes do previsto.
Em entrevista ao jornal Wall Street Journal, feita uma semana antes da execução de Saddam Hussein, Maliki afirmou que só aceitou o cargo de primeiro-ministro para servir ao interesse nacional.
Segundo Maliki, foi uma decisão difícil e uma tarefa que ele não aceitaria novamente.
Ele afirmou ainda que prefere servir ao povo iraquiano no Parlamento ou trabalhando diretamente com as pessoas.
Maliki disse que seus sete meses à frente do governo do Iraque foram difíceis, com milhares de mortes causadas pela violência sectária.
O primeiro-ministro afirmou, no entanto, que a maioria dos iraquianos rejeita uma guerra civil.
Morte de civis
Nesta terça-feira, o Ministério do Interior iraquiano divulgou que o número de civis mortos no Iraque atingiu um novo recorde em dezembro de 2006, com 1.930 mortes.
Dezembro foi o mês mais violento desde o começo da guerra no Iraque, em 2003.
O governo também divulgou que o número de civis mortos em 2006 chegou a 12.320, o que tornou 2006 o ano mais violento do conflito. Metade dessas mortes ocorreram nos últimos quatro meses.
Também no final do mês passado o número de soldados americanos mortos no país desde o início do conflito passou de três mil.
Acredita-se que, embora altos, os números do ministério estejam subestimados, primeiro porque há grande dificuldade para se levantar os dados no país e, segundo, porque os feridos em ataques que morrem após a contagem inicial não são acrescentados ao número total.
Investigação
Também nesta terça-feira, o governo de Maliki criou uma comissão para investigar quem fez a filmagem não-oficial da execução de Saddam Hussein.
As imagens dos últimos momentos do ex-líder iraquiano, divulgadas pela internet, mostram que ele trocou insultos e gritos com pessoas que testemunhavam seu enforcamento, ocorrido no último sábado.
As autoridades iraquianas temem que a divulgação dessas imagens contribua para um aumento da violência sectária no país envolvendo muçulmanos xiitas e sunitas.
“Alguns guardas que gritaram determinadas frases se comportaram de uma maneira inadequada e serão objeto de uma investigação”, disse Sami Al-Askari, assessor do premiê iraquiano.
Um funcionário do governo iraquiano próximo a Maliki disse à agência de notícias France Presse que o inquérito pretende desvendar quem foi responsável pela filmagem secretamente e depois a distribuiu.