01 de janeiro, 2007 - 11h09 GMT (09h09 Brasília)
Tropas do governo transitório somali, apoiadas pelo Exército etíope, tomaram a cidade de Kismayo (300 km da capital Mogadíscio) nesta segunda-feira, de acordo com informação dada pelo premiê da Somália, Ali Mohamed Gedi.
“Kismayo já está sob controle do governo. Os islâmicos fugiram”, disse Gedi à agência de notícias France Presse. “O tempo das facções rebeldes na Somália já acabou”, disse, adicionando que os moradores da capital do país receberam ordens para entregar as armas e caso se recusem, serão “forçados” a isso.
A cidade portuária era o reduto mais forte das forças da União das Cortes Islâmicas (UCI), uma rede formada por 11 tribunais islâmicos, financiados por comerciantes e empresários preocupados com a crescente anarquia na cidade e que no ano passado tinha assumido o controle de boa parte do país.
O recuo da UCI em Kismayo é considerado um duro golpe para a milícia e foi ocasionado por conta de uma intensa ofensiva do Exército etíope nos últimos dias, realizada com artilharia, tanques e aviões.
Baixas
Apesar do Exército ainda manter a ofensiva, Gedi disse que “não há um número grande de baixas”, mesmo se os mortos de ambos os lados ainda não foram contados. O avanço das tropas de Somália e Etiópia é cauteloso, pois se teme a existência se minas e armadilhas.
Cerca de 3 mil soldados da UCI estavam em Kismayo e as milícias agora se movimentam em direção à fronteira com o Quênia, que já teve a segurança reforçada.
O presidente queniano, Mwai Kbaki, anunciou no domingo passado que estava convocando um encontro de países da região para discutir a situação.
A Etiópia apóia o governo somali contra uma milícia que daria abrigo a membros da Al-Qaeda, acusação negada pela UCI.
Resistência
Um dos comandantes da UCI, o sheik Yaqub Ishak, confirmou que as tropas da milícia deixaram Kismayo, mas que “não deixariam de combater o invasor etíope”.
Em junho de 2006, a UCI tomou o controle de parte das regiões sul e central da Somália depois de derrotar diversas facções rebeldes. Analistas afirmam que a milícia islâmica ganhou apoio popular pela sua habilidade de superar rivalidades entre clãs diferentes, cuja disputa foi responsável pelo caos que assola a Somália desde a derrubada do presidente Mohammed Siad Barre em 1991.
As Nações Unidas estimam que cerca de 30 mil pessoas tenham sido desalojadas pelo combate e que as baixas também são altas.