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01 de janeiro, 2007 - 18h41 GMT (16h41 Brasília)

Simpatizantes de Saddam prometem vingança

Centenas de simpatizantes do ex-líder iraquiano Saddam Hussein realizaram manifestações nesta segunda-feira nas cidades de Bagdá, Tikrit e Samarra para protestar contra seu enforcamento, no sábado.

Muitos dos manifestantes prometeram vingança contra a execução de Saddam, descrevendo-a como um “ato criminoso de covardia orquestrado pelos senhores da guerra americanos”.

As manifestações de árabes sunitas ocorreu um dia após celebrações realizadas nas áreas de maioria xiita.

A filha mais velha de Saddam, Raghad, se uniu a centenas de pessoas em um protesto em Amã, capital da Jordânia.

“Deus os abençoe! Eu os agradeço por honrar Saddam, o mártir”, disse ela aos manifestantes, em uma aparição de surpresa.

As duas filhas mais velhas de Saddam buscaram asilo na Jordânia quatro meses após a invasão do Iraque liderada pelos Estados Unidos, em abril de 2003.

Mais protestos foram realizados em várias regiões muçulmanas, incluindo os territórios palestinos e a região da Caxemira administrada pela Índia.

Cidade isolada

Os sunitas iraquianos protestaram no distrito de Adhamiya, em Bagdá, na sua base de Samarra, e na cidade natal de Saddam, Tikrit.

Em Tikrit, as forças de segurança isolaram a cidade pelo terceiro dia seguido para evitar incidentes de violência.

Correspondentes locais dizem que as manifestações não foram grandes, mas deixaram clara a forte divisão sectária que ameaça o Iraque.

Entre os slogans proferidos pelos manifestantes estavam frases como “Saddam é o orgulho da nação” e “Nós sacrificamos nossa alma e nosso sangue por você, Saddam”.

Um manifestante levava um cartaz com os dizeres: “O martírio do pai de dois mártires inspira a resistência para a vitória”, numa referência a Saddam e seus dois filhos, Uday e Qusay, que foram mortos por soldados americanos em 2003.

O correspondente da BBC em Bagdá Peter Greste disse que o primeiro-ministro Nouri Maliki esperava que a execução de Saddam encorajasse alguns de seus simpatizantes sunitas a deixar suas armas e participar do processo político hoje dominado pela maioria xiita, mas em vez disso ela parece ter aumentado ainda mais as divisões.

O ex-presidente, de 69 anos, foi enforcado na manhã de sábado após ter sido condenado à morte pelo assassinato de 148 muçulmanos xiitas na cidade de Dujail nos anos 1980.