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Advogados são instruídos a retirar pertences de Saddam

Os advogados de defesa do ex-presidente do Iraque, Saddam Hussein, confirmaram nesta sexta-feira que receberam instruções para buscar os pertences pessoais de seu cliente.

Khalil al-Dulaimi, chefe da equipe, disse à BBC que autoridades americanas pediram a ele que aponte alguém para recolher os artigos, ou forneça um endereço para onde podem ser enviados.

De acordo com a agência de notícias Reuters, as autoridades americanas entregaram Saddam, detido em uma base militar americana perto da capital, Bagdá, para custódia iraquiana. O vice-ministro da Justiça do Iraque, Bosho Ibrahim, contudo, negou a informação.

O Ministério da Justiça do Iraque disse à Reuters que o ex-líder não será executado por pelo menos um mês. Mas o primeiro-ministro do Iraque, Nouri Maliki afirmou que a sentença de morte imposta a Saddam não será revista, e que não haverá adiamento da execução.

Al-Dulaimi disse que os americanos não confirmaram e nem desmentiram que Saddam tenha sido transferido para os iraquianos.

O ex-líder pode ser enforcado em qualquer dia nas próximas quatro semanas, depois que a apelação contra sua execução foi rejeitada.

Saddam recebeu a pena capital no dia 5 de novembro pelas mortes de 148 xiitas que viviam no povoado de Dujail, em 1982.

Apelo

O chefe da equipe de defesa do ex-presidente fez, na quinta-feira, um apelo à comunidade internacional para impedir que ele seja entregue às autoridades iraquianas execução.

O advogado Khalil al-Dulaimi argumentou que o ex-presidente é um prisioneiro de guerra e não deveria ser entregue aos seus inimigos.

"Conclamo todas as organizações internacionais, as Nações Unidas, a Liga Árabe e os líderes mundiais a intervir urgentemente junto ao governo americano para evitar que Saddam seja entregue às autoridades iraquianas", disse Al-Dulaimi à agência France Presse.

Reações

O Vaticano rejeitou a sentença de morte contra Saddam, afirmando que é errado compensar crimes com um outro.

Em sua edição da quinta-feira, o jornal italiano La Repubblica citou declaração de uma das autoridades da Santa Sé, o cardeal Renato Martino, que disse que a vida deve ser protegida desde a concepção até a morte, que deve ser natural e não por execução.

Na quarta-feira, os advogados do ex-presidente divulgaram uma carta que ele teria escrito pouco depois do anúncio de sua sentença de morte.

"Sacrifico-me. Se Deus assim desejar, Ele me colocará entre os homens verdadeiros e mártires", escreveu Saddam.

Em outro caso, Saddam é acusado de genocídio pela chamada operação Anfal, do Exército iraquiano, que no início dos anos 80 provocou a morte de milhares de curdos que viviam no país.

Pelas leis iraquianas, Saddam pode ser executado ainda que não esteja concluído o segundo julgamento.