28 de dezembro, 2006 - 19h30 GMT (17h30 Brasília)
Tropas fiéis ao governo interino da Somália, com o apoio de soldados da Etiópia, alcançaram nesta quinta-feira a periferia da capital somali, Mogadíscio, depois que a cidade foi abandonada por milícias islâmicas que a controlavam desde junho.
"Nós estamos em Mogadíscio", anunciou o primeiro-ministro da Somália, Mohamed Ali Gedi. "Estamos coordenando nossas forças para assumir o controle de Mogadíscio."
Testemunhas disseram que as tropas do governo foram recebidas com aplausos e gritos entusiasmados da população da capital.
"As pessoas estão aplaudindo e acenando com flores para as tropas", disse Abdikadar Abdulle, um morador de Mogadíscio, à agência de notícias Reuters.
Um porta-voz do governo interino disse à BBC que a maioria das forças que chegaram a Mogadíscio são somalis.
"O governo está comprometido com a restauração da lei e da ordem, e com a implementação das instituições. Queremos restaurar a lei e a ordem", disse Abdirahman Dinari.
Mas um correspondente da BBC em Mogadíscio, Mohammed Olad Hassan, alertou que a situação em Mogadíscio parece estar caminhando para a anarquia.
A Organização das Nações Unidas (ONU) informou que dois barcos carregando refugiados somalis naufragaram na costa do Iêmem.
Pelo menos 17 pessoas morreram, e outras 140 estão desaparecidas.
De acordo com os relatos, os barcos desaparecidos eram parte de um grupo de quatro que haviam cruzado o Golfo de Aden.
Os passageiros dos outros barcos foram resgatados pela agência de refugiados da ONU.
Anarquia
Segundo o correspondente da BBC, milícias ligadas aos clãs locais tomaram prédios e instalações-chave da cidade, como o aeroporto e o antigo palácio presidencial, depois que os milicianos da União de Cortes Islâmicas (UCI) deixaram a cidade.
Moradores do norte de Mogadíscio disseram que carros e telefones celulares foram roubados, e a insegurança forçou estabelecimentos comerciais a fecharem as portas.
Os milicianos da UCI fugiram para a cidade de Kismayo, o seu último reduto, cerca de 500 km ao sul de Mogadíscio.
Um representante da UCI, Omar Idris, confirmou que a milícia se retirou de Mogadíscio, mas disse a batalha pelo país está longe de acabar.
"Os etíopes estão avançando, mas esse não é o final. Nós sabemos o que aconteceu no Iraque, a experiência dos americanos. Eles entraram com muita facilidade no Iraque, mas o que está acontecendo?", disse.
Não está claro quanto tempo as forças etíopes devem permanecer na Somália. O primeiro-ministro da Etiópia, Meles Zenawi, disse que espera que elas fiquem uns poucos dias, "não mais que algumas semanas".
"Enquanto estivermos por lá, vamos ajudá-los (o governo somali) a estabilizar Mogadíscio", afirmou Zenawi.
"Nossa missão na Somália é muito, muito limitada. Nós não estamos ali para reconstruir a Somália economicamente, politicamente ou de outra forma. Nós estamos lá para remover a ameaça das milícias das Cortes Islâmicas à Somália e à Etiópia", completou.
Um morador disse que "toda a população da Somália está pronta e trabalhando contra as forças armadas etíopes. Como muçulmanos, se Alá quiser, nós vamos derrotar os inimigos do Islã e seus lacaios."