28 de dezembro, 2006 - 18h27 GMT (16h27 Brasília)
O chefe da equipe de Defesa do ex-presidente iraquiano Saddam Hussein fez nesta quinta-feira um apelo à comunidade internacional para impedir que o ex-líder seja entregue às autoridades iraquianas para ser executado.
O advogado Khalil al-Dulaimi argumentou que o ex-presidente é um prisioneiro de guerra e não deveria ser entregue aos seus inimigos.
"Conclamo todas as organizações internacionais, as Nações Unidas, a Liga Árabe e os líderes mundiais a intervir urgentemente junto ao governo americano para evitar que Saddam seja entregue às autoridades iraquianas", disse Al-Dulaimi à agência France Presse.
"Saddam é um prisioneiro de guerra e, de acordo com a lei internacional, não pode ser entregue a seus inimigos", acrescentou.
Saddam Hussein está sendo mantido em custódia por militares americanos em uma base próximo à capital iraquiana, Bagdá.
Ele poderá ser enforcado a qualquer momento nas próximas quatro semanas, depois que a Justiça iraquiana recusou um recurso da defesa.
Reações
O Vaticano rejeitou a sentença de morte contra Saddam, afirmando que é errado compensar crimes com um outro.
Em sua edição desta quinta-feira, o jornal italiano La Repubblica cita declaração de uma das autoridades da Santa Sé, o cardeal Renato Martino, que disse que a vida deve ser protegida desde a concepção até a morte, que deve ser natural e não por execução.
Saddam foi sentenciado à forca no dia 5 de novembro pelas mortes de 148 xiitas que viviam no povoado de Dujail, em 1982.
Nesta quarta-feira, os advogados do ex-presidente divulgaram uma carta que ele teria escrito pouco depois de ter sua sentença de morte anunciada.
"Sacrifico-me. Se Deus assim desejar, Ele me colocará entre os homens verdadeiros e mártires", escreveu Saddam.
Em outro caso, Saddam é acusado de genocídio pela chamada operação Anfal, do Exército iraquiano, que no início dos anos 80 provocou a morte de milhares de curdos que viviam no país.
Pelas leis iraquianas, Saddam pode ser executado ainda que não esteja concluído o segundo julgamento.