28 de dezembro, 2006 - 18h20 GMT (16h20 Brasília)
Os Estados Unidos condenaram a decisão israelense de aprovar a construção de um novo assentamento judeu nos territórios palestinos.
Em uma rara crítica ao seu aliado mais próximo no Oriente Médio, o Departamento de Estado americano disse que a construção violaria um plano de paz que busca pôr fim à violência entre israelenses e palestinos.
"O estabelecimento de um novo assentamento ou a expansão de um assentamento já existente violaria as obrigações de Israel com o (plano) Mapa da Paz", disse o porta-voz do órgão, Gonzo Gallegos.
O correspondente da BBC em Washington, Jonathan Beale, disse que a escolha, pelos Estados Unidos, deste momento para fazer sua crítica ao aliado Israel é significativa.
A secretária de Estado americana, Condoleezza Rice, deve visitar o Oriente Médio no início do ano, acredita-se, em uma tentativa de dar novo impulso ao processo de paz.
"O governo americano pede a Israel que cumpra suas obrigações (incluídas no plano) e evite passos que possam interferir nas negociações finais com os palestinos", acrescentou.
Assentamentos
Israel anunciou que construirá 30 casas no vale do rio Jordão, na Cisjordânia, para receber ex-moradores que deixaram assentamentos na Faixa de Gaza quando o Exército israelense se retirou da região.
Os assentamentos judeus na Cisjordânia são ilegais à luz da legislação internacional. A 4ª Convenção de Genebra, em seu artigo 49, proíbe que um país transfira civis de seu próprio território para uma área ocupada.
O Mapa da Paz, elaborado em 2003, pede que a construção de assentamentos seja suspensa.
Esta é a primeira vez, desde 1992, que Israel aprova um novo assentamento ao invés de expandir os já existentes, disse a entidade Peace Now, que monitora assentamentos israelenses.
Cerca de 430 mil pessoas vivem em assentamentos judeus na Cisjordânia, incluindo Jerusalém Oriental.
Reações
Saeb Erekat, um assessor do presidente palestino Mahmoud Abbas, condenou o plano e pediu ao governo de Israel que suspenda a autorização para a construção das casas.
Ele disse que o plano contraria o novo espírito de cooperação gerado em um recente encontro entre Abbas e o primeiro-ministro de Israel Ehud Olmert.
Em uma declaração anterior, a União Européia também expressou sua "profunda preocupação" com a decisão de Israel.
O Mapa da Paz, que também pede aos palestinos que ponham fim às atividades de militantes extremistas, está praticamente congelado há meses, em meio à crescente violência entre os dois lados.
O objetivo do plano é criar condições para a eventual criação de um Estado Palestino.