27 de dezembro, 2006 - 05h38 GMT (03h38 Brasília)
O presidente do Sudão, Omar al-Bashir, afirmou em uma carta à ONU que apóia o envio de uma força internacional mista para a região de Darfur, que vive um violento conflito civil desde 2003.
Na carta endereçada ao secretário-geral da ONU, Kofi Annan, Bashir disse que o Sudão está pronto para "começar imediatamente" a implementar dois acordos que endossaram um plano para reforçar a atual força da União Africana, que conta com sete mil homens na vasta região no oeste sudanês.
Diplomatas na ONU reagiram de forma positiva à carta, mas ressalvaram que o presidente sudanês continua se opondo a grandes deslocamentos de soldados das Nações Unidas - preferindo uma força híbrida, que combine ONU e União Africana. Além disso, o presidente já recuou de acordos envolvendo Darfur no passado.
O conflito de Darfur começou em 2003 depois que um grupo rebelde começou atacar alvos do governo, alegando que a região estava sendo negligenciada. Segundo os rebeldes, o governo está oprimindo negros em detrimento de árabes.
Milícias árabes reagiram tentando reprimir a revolta, dando início ao atual conflito, que já matou mais de 200 mil pessoas. O governo de Kharthoum nega as acusações dos rebeldes de que estaria apoiando as milícias.
Resposta
A carta de Bashir é uma resposta a telefonemas dele com Annan e a uma carta do secretário-geral entregue em mãos por um enviado especial, Ahmedou Ould Abdallah.
Abdallah deverá informar o Conselho de Segurança da ONU sobre a situação em Darfur nesta quarta-feira.
Na carta enviada a Annan, Bashir diz que o Sudão concorda com dois passos previstos no plano da ONU - a mobilização de funcionários e equipamentos para a atual força da União Africana e com um pacote de apoio.
Mas o terceiro ponto do plano, o tamanho e o comando da nova força, não está claro.
O Sudão passou a aceitar a participação da ONU em uma força de paz depois de sofrer ameaças de sanções internacionais.