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26 de dezembro, 2006 - 14h00 GMT (12h00 Brasília)

Etiópia obriga milícia islâmica a recuar na Somália

A milícia islâmica da Somália - a União das Cortes Islâmicas (UCI) - recuou de suas posições depois de intensa ofensiva das forças do governo apoiadas por tropas da Etiópia.

Jatos etíopes atingiram posições islâmicas por um terceiro dia nesta terça-feira.

A UCI qualificou seu recuo como uma mudança de tática no que será uma longa guerra.

Combates entre forças do governo interino apoiado pela Etiópia e da UIC se intensificaram na semana passada. A Cruz Vermelha está atendendo mais de 600 civis e combatentes.

A organização pediu a todos os lados que respeitem os direitos dos feridos e dos prisioneiros.

Mais cedo nesta terça-feira, a União Africana disse que a Etiópia tinha direito à intervenção militar na Somália quando se sentiu ameaçada pela milícia islâmica em operação no país.

"Nova fase"

A cidade de Burhakaba, uma das principais bases islâmicas, teria passado para o controle de forças leais ao governo da Somália.

Nos últimos dias, a área em volta da cidade, que fica perto de Baidoa, sede do governo interino, vem sendo foco de pesados combates envolvendo tanques e artilharia.

Na medida em que os combatentes da UCI recuaram na terça-feira, foram alvo do bombardeio de jatos etíopes.

Há notícia ainda de que combatentes islâmicos também se retiraram de outras áreas nas regiões central e sul da Somália.

"As tropas das Cortes Islâmicas estão recuando, algumas delas até (a capital) Mogadíscio", disse o porta-voz do governo, Abdirahman Dinari, à agência de notícias Reuters.

Mas o líder da UCI, xeque Sharif Ahmed, disse em Mogadíscio que a retirada apenas sinaliza uma nova fase na guerra.

No domingo, a Etiópia admitiu pela primeira vez que suas tropas estão em ação na Somália, alegando que foi forçada a defender sua soberania contra "terroristas" e anti-etíopes.

A ONU estima que pelo menos 8 mil soldados etíopes podem estar apoiando o governo de transição.

Força de estabilização

Patrick Mazimhaka, vice-presidente da Comisão da União Africana, disse à BBC que o órgão não vai criticar a Etiópia porque o país "deu vários alertas de que se sentia ameaçada pela UCI".

Ele acrescentou: "Cabe a cada país julgar a dimensão da ameaça a sua própria soberania."

Mazimhaka disse que a comunidade internacional tem a responsabilidade de apoiar o governo de transição.

A União Africana vai se reunir dentro de dois dias para discutir a situação, afirmou.

"A União Africana precisa discutir um plano para obter uma força para interceder e estabilizar a situação", concluiu Mazimhaka.