26 de dezembro, 2006 - 05h34 GMT (03h34 Brasília)
Um representante da União Africana defendeu a intervenção da Etiópia no conflito da Somália.
Patrick Mazimhaka, vice-presidente da Comissão da entidade, disse em entrevista à BBC que a União Africana não agiu a tempo para evitar uma escalada da crise, mas que a Etiópia tinha o direito de interferir no país vizinho porque sentia que seus interesses estavam sendo ameaçados.
"Cabe a cada país julgar o tamanho da ameaça à sua soberania", afirmou Mazimhaka.
Aviões militares da Etiópia bombardearam nesta segunda-feira dois aeroportos da Somália como parte de uma operação contra a milícia islâmica que controla parte do país.
Os bombardeios atingiram o aeroporto internacional da capital somali, Mogadíscio, e outro em Balidogle, no sul do país.
Mogadíscio está sob controle da União das Cortes Islâmicas, milícia islâmica que vem lutando contra o governo interino da Somália apoiado pela Etiópia.
A Etiópia admitiu pela primeira vez no domingo que suas tropas estão lutando na Somália e começou a atacar a União das Cortes Islâmicas em quatro frentes. Até então, o governo etíope em Adis-Abeba admitia ter enviado soldados para a Somália apenas para fins de treinamento.
O primeiro-ministro etíope disse que seu país está "em guerra" com os islamistas, e a Cruz Vermelha pediu a todas as partes que protejam os civis.
Milhares de somalianos fugiram da crescente violência, e a Cruz Vermelha disse que os combates estão afetando o já bastante debilitado sistema de assistência do país.
Cidade tomada
Um porta-voz da União das Cortes Islâmicas, Abdirahman Janaqow, disse que os islamistas vão resistir à Etiópia.
Com o ataque etíope ao aeroporto de Mogadíscio, forças somalianas e etíopes fizeram com que milicianos islamistas se retirassem de uma posição considerada estratégica perto da fronteira - um posto avançado dentro da cidade de Beledweyne.
Combatentes da União das Cortes Islâmicas tiveram que deixar a cidade, palco de pesados combates no domingo.
Há ainda notícia de choques em Burhakaba, perto da sede do governo somaliano de transição em Baidoa.
Forças do governo somaliano vêm combatendo a União das Cortes Islâmicas há seis dias, inicialmente em torno de Baidoa mas depois ao longo de um front de 400 quilômetros.
Guerra regional
Observadores levantam a possibilidade de que a Somália esteja sendo palco de um conflito regional.
A Organização das Nações Unidas (ONU) estima que há cerca de 8 mil soldados etíopes no país, em apoio ao governo interino em Baidoa.
Por sua vez, a vizinha Eritréia, inimiga histórica da Etiópia, teria mandado 2 mil homens para lutar ao lado do efetivo da milícia islâmica.