25 de dezembro, 2006 - 10h45 GMT (08h45 Brasília)
Aviões militares da Etiópia bombardearam dois aeroportos da Somália como parte de uma operação contra a milícia islâmica que controla parte do país.
Os bombardeios atingiram o aeroporto internacional da capital somali, Mogadíscio, e outro em Balidogle, no sul do país.
Mogadíscio está sob controle da União das Cortes Islâmicas, milícia islâmica que vem lutando contra o governo interino da Somália apoiado pela Etiópia.
O primeiro-ministro etíope disse que seu país está "em guerra" com os islamistas, e a Cruz Vermelha pediu a todas as partes que protejam os civis.
Milhares de somalianos fugiram da crescente violência, e a Cruz Vermelha disse que os combates estão afetando o já bastante debilitado sistema de assistência do país.
O aeroporto de Mogadíscio havia sido reaberto recentemente pela União das Cortes Islâmicas, que controla a maior parte das regiões central e sul da Somália.
O correspondente da BBC na região, Adam Mynott, disse que o ataque é uma clara indicação de que a Etiópia está cumprindo sua ameaça de atingir posições islamistas em nome de sua defesa.
Cidade tomada
Um porta-voz da União das Cortes Islâmicas, Abdirahman Janaqow, disse que os islamistas vão resistir à Etiópia.
Com o ataque etíope ao aeroporto de Mogadíscio, forças somalianas e etíopes fizeram com que milicianos islamistas se retirassem de uma posição considerada estratégica perto da fronteira - um posto avançado dentro da cidade de Beledweyne.
Combatentes da União das Cortes Islâmicas tiveram que deixar a cidade, palco de pesados combates no domingo.
Há ainda notícia de choques em Burhakaba, perto da sede do governo somaliano de transição em Baidoa.
Forças do governo somaliano vêm combatendo a União das Cortes Islâmicas há seis dias, inicialmente em torno de Baidoa mas depois ao longo de um front de 400 quilômetros.
No domingo, a Etiópia admitiu pela primeira vez que suas tropas estão lutando na Somália e começou a atacar a União das Cortes Islâmicas em quatro frentes.
"Depois de muita paciência, o governo da Etiópia tomou uma medida de autodefesa e começou a contra-atacar as forças extremistas agressivas", disse o porta-voz do Ministério do Exterior etíope, Solomon Abebe, segundo agências de notícias.
Guerra regional
Observadores levantam a possibilidade de que a Somália esteja sendo palco de um conflito regional.
A Organização das Nações Unidas (ONU) estima que há cerca de 8 mil soldados etíopes no país, em apoio ao governo interino em Baidoa.
Por sua vez, a vizinha Eritréia, inimiga histórica da Etiópia, teria mandado 2 mil homens para lutar ao lado do efetivo da milícia islâmica.
Na sexta-feira, um comunicado do Ministério do Exterior etíope classificava a situação na Somália como "de mal a pior". "A Etiópia tem sido paciente até agora. Há um limite para isso", dizia a nota.
Mas, até então, o governo etíope em Adis-Abeba admitia ter enviado soldados para a Somália apenas para fins de treinamento.