24 de dezembro, 2006 - 11h29 GMT (09h29 Brasília)
Os combates na Somália se intensificaram neste domingo, entre relatos de que tropas e aviação da Etiópia estão atacando posições de milicianos islâmicos somalis no país.
As tropas etíopes apóiam o governo interino estabelecido na cidade de Baidoa, que perdeu espaço para a milícia União dos Tribunais Islâmicos (UTI), que controla o sul do país e a capital portuária, Mogadíscio.
Neste domingo, um dirigente da UTI afirmou que combatentes etíopes bombardearam a cidade de Beledweyne, localidade controlada pela milícia próxima à fronteira com a Etiópia.
"O inimigo de Alá começou a bombardear nossos civis", disse o xeque Hassan Derrow, segundo a agência France Presse.
Um morador da cidade, cerca de 300 quilômetros ao norte de Mogadíscio, disse à agência: "Estamos vendo aviões atacando, e combates pesados se intensificando em terra".
Combates também foram registrados em Baidoa pelo quinto dia consecutivo, e na região de Galkayo, ao norte.
Guerra regional
Observadores levantam a possibilidade de que a Somália esteja sendo palco de um conflito regional.
A Organização das Nações Unidas (ONU) estima que há cerca de 8 mil soldados etíopes no país, em apoio ao governo interino em Baidoa.
A vizinha Eritréia, por sua vez, teria mandado 2 mil homens para lutar ao lado do efetivo da milícia islâmica.
Tanto a Eritréia quanto a Etiópia, inimigos históricos, negam ter enviado soldados para a Somália, embora o governo etíope em Adis-Abeba reconheça que haja colaboração com o governo interino em assuntos como treinamento de tropas.
No sábado, a UTI pediu a estrangeiros que engrossem uma "guerra santa" contra a Etiópia.
O governo etíope não se pronunciou sobre a suposta participação nos combates deste domingo.