24 de dezembro, 2006 - 09h25 GMT (07h25 Brasília)
O primeiro-ministro israelense, Ehud Olmert, concordou em liberar US$ 100 milhões (cerca de R$ 220 milhões) em impostos recolhidos pelo governo de Israel para a Autoridade Palestina, mas que haviam sido "congelados" por Israel em reprimenda ao governo palestino do partido radical Hamas.
A liberação dos recursos foi anunciada neste sábado, durante o primeiro encontro formal entre o primeiro-ministro israelense e o presidente da Autoridade Palestina, Mahmoud Abbas, que encabeça o partido Fatah, pró-Ocidente e rival do Hamas nos territórios palestinos.
Desde a eleição de janeiro de 2006, que deu ao Hamas a maioria no Parlamento, Israel mantém congelado um total de US$ 600 milhões (mais de R$ 1,2 bilhão) de repasses para a Autoridade Palestina.
O governo israelense afirmou que repassará os fundos para fins humanitários, se for encontrado um mecanismo para evitar que o Hamas tenha acesso a eles. Uma das propostas é que ele seja repassado diretamente aos hospitais.
O assunto será discutido em um comitê financeiro a ser estabelecido pelos dois governos.
Além desse, os líderes concordaram em estabelecer dois outros comitês – um para discutir a expansão do frágil cessar-fogo israelo-palestino de Gaza para a Cisjordânia e outro para tratar de possíveis libertações de prisioneiros palestinos hoje mantidos em prisões israelenses.
Confiança
A correspondente da BBC em Jerusalém Katya Adler disse que a reunião, realizada na casa de Olmert, em Jerusalém, não pode ser considerada uma retomada das negociações de paz, e sim uma tentativa de melhorar a confiança de um lado no outro.
Segundo funcionários do governo israelense, os dois líderes concordaram que a conversa foi o primeiro passo nesse sentido.
Israel se recusa a negociar com o Hamas, que por sua vez rejeita o reconhecimento do Estado de Israel.
Mas, segundo a correspondente da BBC, Olmert tem sofrido pressão dos Estados Unidos e da União Européia para apoiar o presidente Abbas em sua queda-de-braço com o Hamas.
Na semana passada, Abbas pediu eleições antecipadas nos territórios palestinos, atiçando uma reação imediata do Hamas, que classificou o ato como "tentativa de golpe de Estado".
A disputa levou a um dos piores confrontos entre facções palestinas em anos, e fez surgir temores de uma guerra civil.
Correspondentes dizem que o apoio de Olmert a Abbas também seria benéfico para o premiê israelense, que perdeu popularidade depois da guerra com o Líbano, em meados deste ano.
Os dois líderes já haviam se encontrado informalmente em junho. Esta foi a primeira reunião formal entre um líder israelense e um líder palestino em quase dois anos.