21 de dezembro, 2006 - 18h17 GMT (16h17 Brasília)
O líder da milícia União dos Tribunais Islâmicos (UTI), que controla a capital Mogadíscio e boa parte do sul da Somália, afirmou nesta quinta-feira que o grupo está em "estado de guerra" com a Etiópia.
"Todos os somalis devem participar desta luta contra a Etiópia", disse, em Mogadíscio, o xeque Hassan Dahir Aweys.
O líder islâmico apontou tropas etíopes como responsáveis pelos combates ocorridos nos últimos dias perto da cidade de Baidoa, na região central da Somália, onde fica a sede do governo interino do país.
A Etiópia nega ter enviado tropas para a região e diz que as forças islâmicas têm atacado milícias leais ao governo interino da Somália com a intenção de invadir Baidoa.
Somália e Etiópia têm uma longa história de relações tensas, e somalis islâmicos têm há algum tempo tentado convocar uma guerra santa (Jihad) contra tropas etíopes em Baidoa.
Combates
Na quarta-feira, o enviado europeu à Somália, Louis Michel, disse que havia alcançado um acordo entre o governo interino e a UTI para interromper os combates e retomar as negociações de paz.
Moradores da região afirmam, no entanto, que os combates continuam ocorrendo em diversas áreas a menos de 20 km de Baidoa.
A imprensa local diz que há corpos espalhados pelas ruas da área dos combates, e tanto o governo interino como milícias islâmicas afirmam ter matado dezenas de oponentes.
A ONU avalia que pelo menos oito mil tropas etíopes podem estar na Somália para apoiar o governo interino, enquanto duas mil tropas da Eritréia estariam ajudando os militantes islâmicos.