18 de dezembro, 2006 - 12h10 GMT (10h10 Brasília)
O Comitê Internacional da Cruz Vermelha pediu nesta segunda-feira a libertação imediata de cerca de 20 pessoas que foram seqüestradas, entre funcionários e visitantes, de seus escritórios na capital do Iraque, Bagdá, no domingo.
A organização disse que os funcionários capturados oferecem apoio vital para a população iraquiana.
"Eles fazem isso (seu trabalho) com devoção e humanidade", disse Pierre Krahenbuhl, diretor de operações da Cruz Vermelha.
"Eles devem ser respeitados e apoiados, e não atacados."
Cerca de seis pessoas que foram capturadas, em sua maioria homens idosos, já teriam sido libertados, segundo relatos.
Disfarce
No domingo, homens armados levaram cerca de 30 pessoas, todos homens, dos escritórios da agência humanitária.
Usando uniformes semelhantes aos do comando especial do Ministério do Interior, eles chegaram ao local em um grande comboio de veículos da polícia iraquiana e invadiram o escritório da Cruz Vermelha, dizendo que foram enviados para checar o local.
Logo após entrar no prédio, eles separaram os homens das mulheres. Três guardas iraquianos da embaixada da Holanda, localizada nas proximidades do escritório da Cruz Vermelha, também foram levados.
O Ministério do Interior informou que nenhuma de suas unidades estava trabalhando na área no momento do crime.
Resgate
Este é o mais recente de uma série de seqüestros que vêm sendo registrados no Iraque.
Na quinta-feira, homens com uniformes militares seqüestraram cerca de 70 pessoas em uma área comercial em Sanak, também em Bagdá. Pelo menos 20 foram libertados em seguida.
Muitos seqüestros têm sido atribuídos às milícias xiitas, disfarçadas de unidades de comando da polícia iraquiana.
Porém, também existem suspeitas de que integrantes das milícias estejam infiltrados na polícia, segundo o correspondente da BBC em Bagdá Jim Muir.
Gangues criminosas em busca de resgates também estão entre os responsáveis pelos seqüestros.
A Cruz Vermelha iraquiana, a maior agência humanitária no país, já foi alvo de ataques de insurgentes.
Na sexta-feira, a organização também acusou soldados americanos de atacar seu escritório e alguns de seus veículos.
A Cruz Vermelha, que tem mil funcionários e cerca de 200 mil voluntários, é o único grupo humanitário que trabalha em todas as 18 províncias iraquianas.