16 de dezembro, 2006 - 17h35 GMT (15h35 Brasília)
O primeiro-ministro iraquiano, Nouri Maliki, disse neste sábado que ex-integrantes do Exército de Saddam Hussein são bem-vindos para voltar à atividade militar, em uma tentativa de agradar dissidentes sunitas no país.
Ele disse que aqueles que preferirem não voltar para o Exército terão direito a receber pensões.
As declarações foram feitas por Maliki na abertura de uma conferência sobre reconciliação nacional, que está sendo realizada por sunitas e xiitas moderados em Bagdá.
O conflito entre os dois grupos tem provocado, em média, cem mortes por dia no Iraque.
Portas abertas
Entre os 300 delegados convidados para as negociações estão pessoas que integraram o antigo partido Baath, de Saddam Hussein. Rebeldes sunitas e xiitas radicais não participam da conferência, que terá dois dias de duração.
A principal organização de clérigos sunitas, a Associação dos Sábios Muçulmanos, boicotou o encontro.
“O Exército iraquiano abre suas portas para oficiais e soldados do antigo Exército que queiram servir o país”, disse Maliki.
Após a invasão do Iraque pela coalizão liderada pelos Estados Unidos, o Exército de Saddam foi dissolvido, o que teria provocado a adesão de diversos soldados à insurgência sunita.
Maliki, que é xiita, disse neste sábado que ex-integrantes do Baath que “não têm sangue nas suas mãos” deveriam ter tratamento diferente dos demais.
“Nós apontamos uma distinção entre os dois, para não prejudicar o primeiro grupo e para que o segundo não escape da Justiça.”
O principal assunto da conferência – que reúne políticos xiitas, sunitas e curdos – é a presença de tropas americanas e de outros países no Iraque.
Antes da reunião, Maliki recebeu apoio do presidente americano, George W. Bush. Segundo a Casa Branca, os dois conversaram por 30 minutos por videoconferência.