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16 de dezembro, 2006 - 09h07 GMT (07h07 Brasília)

Governador da Flórida suspende execuções

O governador da Flórida, nos Estados Unidos, Jeb Bush, suspendeu as execuções no Estado após o processo de aplicação de injeção letal em um homem condenado à morte ter apresentado falhas.

Bush disse que é preciso ter certeza de que o método não constitui "punição cruel nem incomum".

Angel Diaz, de 55 anos, condenado à morte por assassinato, levou 34 minutos para morrer - mais do que o dobro do tempo normal - e teve de receber uma segunda dose letal.

A injeção letal é o método de execução preferido em 37 dos 50 Estados americanos.

Queimaduras químicas

Bush nomeou uma comissão para avaliar a prática e decidir se ela viola a lei do Estado por ser considerada um modo desnecessariamente cruel, como dizem os grupos contrários à pena de morte.

O governador anunciou que nenhuma outra autorização de pena de morte vai ser assinada enquanto a comissão não completar seu relatório final, previsto para março de 2007.

Angel Diaz foi condenado à morte pelo assassinato de um gerente de uma boate de strip-tease de Miami, em 1979.

De acordo com testemunhas, sua morte levou mais do que o dobro do tempo previsto: 34 minutos em vez de 15.

Diaz precisou de uma segunda injeção porque a aplicação foi feita de forma errada, com agulhas perfurando as veias e parando na carne de seus braços.

Na autópsia, foram encontradas grandes queimaduras químicas nos dois braços de Diaz e seu advogado disse que o cliente continuava se mexendo e falando por 20 minutos após a primeira dose.

Normalmente, os executados perdem a consciência nos primeiros três a cinco minutos após a injeção.

A execução por injeção letal está sendo questionada também fora da Flórida. Na Califórnia, um juiz determinou que este tipo de execução viola uma lei imposta no Estado que proíbe a punição cruel e incomum.

Ativistas contrários à pena de morte dizem que injeções letais - introduzidas em muitos Estados para substituir a cadeira elétrica e outros métodos de execução - são igualmente cruéis e não deveriam ser consideradas uma alternativa mais humana.