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15 de dezembro, 2006 - 14h49 GMT (12h49 Brasília)

Kasparov organiza protesto contra Kremlin

Grupos de oposição da Rússia, liderados pelo ex-campeão mundial de xadrez Garry Kasparov, anunciaram que vão realizar neste sábado um protesto contra o presidente Vladimir Putin em Moscou.

A manifestação desafia uma decisão oficial, mas, segundo Kasparov, os participantes vão tentar evitar provocações.

"Tomamos medidas adicionais para manter o formato da ação e evitar confrontos, que podem terminar mal", disse Kasparov.

"A marcha dos que não concordam", como foi batizada, será contra o que os manifestantes descrevem como corrupção extrema e as ações do Kremlin contra a democracia.

Um grupo de jovens a favor do governo planeja realizar sua própria manifestação no domingo.

Oposição

Os organizadores afirmam que receberam ordens das autoridades de Moscou para permanecerem em apenas uma praça.

Além disso, ativistas de várias regiões da Rússia que planejavam viajar à capital para participar do protesto alegam ter recebido ordens para se apresentarem à polícia.

Garry Kasparovdisse que as autoridades estão violando direitos institucionais ao proibir manifestações.

O ex-campeão de xadrez afirmou que a marcha vai unir "forças de oposição de várias correntes políticas". Os organizadores esperam cerca de 4 mil pessoas na marcha.

Já o grupo que organiza a manifestação pró-governo no domingo esperam 100 mil participantes já que não foram impostas restrições.

Escritórios

Kasparov abandonou o xadrez profissional para se dedicar à oposição política.

O ex-campeão lidera a chamada Frente Civil Unida, uma organização que reúne defensores do liberalismo econômico, nacionalistas e grupos radicais jovens.

Segundo o analista da BBC Steven Eke, a oposição russa sofre com divisões internas. Mas com as eleições parlamentares em 2007 e a presidencial em 2008, os grupos estão começando a se unir.

O Parlamento da Rússia é dominado por partidos a favor do Kremlin que geralmente aprovam as leis propostas pelo governo.

As autoridades já afirmaram que vêem as atividades de Kasparov como potencialmente subversivas.

No começo da semana, oficiais do serviço de segurança interna russo fizeram buscas em seu escritório e levaram documentos e equipamentos.