13 de dezembro, 2006 - 15h58 GMT (13h58 Brasília)
A figura do dragão – símbolo nacional da China – é o centro de uma nova polêmica no país.
O debate começou quando o acadêmico Wu Youfu, da universidade Shanghai International Studies, disse ao jornal Shanghai Morning Post que chineses e ocidentais têm conceitos muito diferentes de dragões.
Para os chineses, dragões são símbolos supernaturais sem a conotação ocidental de agressividade. O dragão chinês não é o monstro que cospe fogo e ameaça donzelas, como nas histórias do Ocidente. Pelo contrário, sua principal tarefa é trazer harmonia.
Na arte, nas festas e na arquitetura chinesas, o dragão é celebrado. Milhões de chineses tem o ideograma "long" – que significa dragão – como parte de seus nomes.
As declarações geraram reações dos internautas. Segundo uma enquete publicada em um site chinês, 90% discordam da imagem ocidental e insistem que o dragão deve continuar sendo o ícone maior do país.
Mascotes amigáveis
Para o diretor do Centro de Pesquisa da China sobre Cultura de Dragões, Pang Jin, a imagem que o dragão tem nas duas culturas não pode se misturar.
"O dragão na cultura ocidental tem um status cultural baixo, mas na China é um símbolo cultural e espiritual que representa prosperidade e boa sorte", disse Jin à agência chinesa de notícias Xinhua.
Esse conceito não é novo. Outros acadêmicos sugerem que pessoas de outros países que não a China usem a palavra chinesa "long" para se referir ao símbolo daquela nação, como forma de diferenciar o termo da concepção ocidental.
O governo chinês decidiu não adotar o dragão como mascote oficial das Olimpíadas de 2008, em Pequim, devido à conotação que o símbolo tem fora do país.
No lugar, foram criados cinco mascotes amigáveis – um panda, um antílope tibetano, um peixe, uma andorinha e uma chama olímpica.