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12 de dezembro, 2006 - 18h36 GMT (16h36 Brasília)

Tribunal culpa ex-líder da Etiópia por genocídio

O ex-líder da Etiópia Mengistu Haile Mariam foi declarado culpado nesta terça-feira por genocídio, após um julgamento que durou 12 anos.

Mengistu, que vive no Zimbábue desde que foi deposto, em 1991, foi julgado por um tribunal na Etiópia. Ele e seus oficiais podem receber a pena de morte.

A sentença deverá ser anunciada no dia 28 de dezembro.

Muitos temem, porém, que ele jamais venha a cumprir pena por seus crimes.

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Dos 72 ex-autoridades do governo que foram julgadas na Etiópia, 71 foram declarados culpados de genocídio. Apenas 34 estavam presentes no tribunal, já que 14 morreram durante o longo processo e 25, incluindo o próprio Mengistu, foram julgados à revelia.

O tribunal federal da Etiópia também declarou os acusados culpados de aprisionamento, homicídio e confisco ilegal de propriedades.

As evidências contra Mengistu, que tem quase 70 anos, incluem ordens de execução assinadas, vídeos de sessões de tortura e depoimentos pessoais.

O governo de Mengistu começou em 1974, quando ele e um grupo de oficiais depuseram o imperador do país, Haile Selassie.

O imperador não tomou medidas apropriadas para conter os efeitos de uma colheita ruim e a fome assolou o país.

Mengistu emergiu como o novo líder e, na confusão que sucedeu a morte do imperador, o governo se envolveu em disputas com estudantes e grupos rivais de esquerda.

A reação do novo líder foi reprimir brutalmente a oposição. Ele declarou a Etiópia uma República Socialista e, com o apoio da União Soviética, impediu uma invasão da Somália.

Entretanto, guerras internas com a Eritréia - hoje um país independente do restante da Etiópia - e uma rebelião na província de Tigray enfraqueceram o governo de Mengistu até que ele fugiu para o Zimbábue em 1991.

Desde então, pedidos de extradição vem sendo negados pelo governo do Zimbabue.