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10 de dezembro, 2006 - 22h26 GMT (20h26 Brasília)

Pinochet morre no Chile aos 91 anos

O ex-líder do regime militar no Chile, Augusto Pinochet, morreu aos 91 anos de idade, na capital chilena, Santiago.

Pinochet estava internado desde o domingo, 3 de dezembro, quando sofreu um ataque cardíaco. Ele foi submetido a uma cirurgia de angioplastia para evitar uma intervenção de maior risco.

Nesta semana, os médicos haviam afirmado que o estado de saúde de Pinochet melhorara, mas o general não resistiu à enfermidade prolongada.

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O militar comandou o golpe militar que derrubou o então presidente eleito, Salvador Allende, em 1973, ficando no poder por 17 anos.

Mais de 3 mil pessoas foram mortas durante o seu governo.

Veja imagens da vida de Pinochet.

Ainda correm na Justiça chilena dois processos contra Pinochet, um por violação de direitos humanos e outro por evasão fiscal.

Na semana passada, ele emitiu uma nota na qual aceitou a responsabilidade política de tudo o que ocorreu no Chile enquanto ele estava no poder.

Mas ele afirmou que era preciso derrocar Allende para afastar do país o risco de um caos político e social.

"Enfrentarei de bom grado a humilhação [de ser julgado], perseguido e as injustiças contra a minha família em nome da paz e da harmonia que reinam hoje entre os chilenos", disse a nota.

O militar permanecia sob prisão domiciliar - seu estado de saúde precário o manteve longe dos tribunais.

A sentença foi emitida na investigação sobre o desaparecimento de dois seguranças de Salvador Allende, que seriam vítimas da "Caravana da Morte", grupo apoiado pelo regime militar que viajava pelo país para eliminar dissidentes políticos.

Reações

As reações à morte do ex-líder militar foram variadas. Simpatizantes que se reuniam em frente ao hospital onde ele estava internado desataram em prantos.

Mas vítimas do regime militar chileno e vozes internacionais lamentaram que o ex-general não tenha sido levado à Justiça pelos seus crimes.

"Para quem foi torturado, e particularmente para as pessoas que perderam entes queridos, creio que haverá muita raiva por ele ter escapado de processo", disse à BBC Sheila Cassidy, que foi presa e torturada no Chile dos anos 70.

O chanceler venezuelano, José Vicente Rangel, disse que "a morte sela a impunidade de Pinochet".

O FMLN, antigamente um dos principais grupos guerrilheiros da América Latina e hoje o principal partido de oposição de El Salvador, lamentou que Pinochet não tenha pago por seus "milhares de crimes".

Em Washington, o porta-voz do governo americano Tony Fratto afirmou à agÊncia France Presse: "A ditadura de Pinochet foi um dos períodos mais difíceis da história da nação. Nossos pensamentos hoje estão com as vítimas de seu reinado e suas famílias".

"Conclamamos o povo chileno a construir uma sociedade baseada na liberdade, no Estado de Direito e no respeito pelos direitos humanos", ele acrescentou.

Já na Grã-Bretanha, a ex-primeira ministra Margareth Thatcher disse que estava "muito entristecida" com a morte de Pinochet.

A baronesa tinha o general como um amigo, e gostava de sublinhar o apoio que Pinochet ofereceu à Grã-Bretanha nos anos 80, quando o aliado europeu travava uma guerra contra a Argentina pelas Ilhas Malvinas.

Thatcher visitou Pinochet quando ele cumpria prisão domiciliar na Grã-Bretanha, em 1998, depois que o juiz espanhol Baltasar Garzón expediu uma ordem de extradição na tentativa de julgar Pinochet por crimes contra a humanidade.

No fim, Pinochet não foi extraditado para a Espanha, como queria Garzón - o general acabou voltando ao Chile pouco mais de um ano depois.