09 de dezembro, 2006 - 22h24 GMT (20h24 Brasília)
O presidente do Líbano, Emile Lahoud, rejeitou uma proposta formal do seu gabinete de criar um tribunal para julgar suspeitos de ter matado o premiê libanês Rafik Hariri.
Lahoud é uma das autoridades do governo libanês simpáticas à Síria, país suspeito de estar envolvido com a explosão do carro-bomba que matou Hariri, em fevereiro de 2005.
O presidente libanês disse que o gabinete havia perdido a legitimidade desde que ministros xiitas e pró-Síria renunciaram aos seus cargos, em novembro.
"O presidente pede ao gabinete que reconsidere (a proposta) assim que um governo legítimo e constitucional estiver formado", afirmou um comunicado emitido neste sábado pelo despacho presidencial.
Uma investigação da Organização das Nações Unidas (ONU), que apóia o tribunal, concluiu que a Síria está envolvida no assassinato de Hariri, mas Damasco nega.
Tribunal
No mês passado, o gabinete libanês aprovou um plano de tribunal internacional para julgar os suspeitos do caso.
A sessão não contou com seis ministros pró-Síria, já que representantes do partido xiita Hezbollah se recusaram a se reincorporar ao governo.
O Hezbollah, favorável à Síria, pressiona pela renúncia das autoridades libanesas, razão que levou os líderes do grupo a comandar protestos no centro de Beirute por mais de uma semana.
O primeiro-ministro libanês, Fouad Siniora, deve buscar apoio parlamentar para aprovar a criação do tribunal, mesmo sem a assinatura do presidente.
Na sexta-feira, Siniora acusou o líder do Hezbollah, Hassan Nasrallah, de planejar um golpe contra a atual administração.
No dia anterior, o principal chefe do grupo xiita disse que a oposição formaria um governo interino para substituir o atual gabinete.