08 de dezembro, 2006 - 13h02 GMT (11h02 Brasília)
O presidente americano, George W. Bush, precisa adotar as recomendações feitas pelo relatório elaborado pelo Grupo de Estudos sobre o Iraque na íntegra, e não somente aqueles que ele preferir, como se fosse uma “salada de frutas”.
A afirmação é do ex-secretário de Estado americano James Baker, que esteve à frente da comissão responsável pelo estudo, em entrevista dada em Washington nesta quinta-feira.
No documento divulgado na quarta-feira, conhecido como Relatório Baker, o Grupo de Estudos para o Iraque conclui que a situação no Iraque "é grave e está piorando" e recomenda 79 mudanças na estratégia dos Estados Unidos para o país, entre elas uma nova ofensiva diplomática voltada para o Oriente Médio, que incluiria negociações com o Irã e a Síria.
George W. Bush disse que o relatório merece uma "séria consideração" e que a possibilidade de uma aproximação diplomática com Síria e Irã para tentar controlar a situação no Iraque depende de ações dos dois países que comprovem que eles estão dispostos a colaborar.
Depois de se reunir com o primeiro-ministro britânico Tony Blair em Washington na quinta-feira, Bush disse que a política americana só mudará se o Irã suspender seu programa de enriquecimento de urânio.
Síria
James Baker alertou quanto à necessidade de se adotar o plano como um todo.
“Espero que não tratemos este relatório como uma ‘salada de frutas’, dizendo ‘gosto disso, mas não gosto daquilo’”, afirmou Baker.
“Esta é uma estratégia ampla de diversos pontos do problema do Iraque, mas também de vários problemas da região, que visa restaurar a credibilidade americana na área”, afirmou.
Após o encontro com Blair, o presidente Bush também não poupou novas críticas à Síria, afirmando que o país precisa ser pressionado a parar de desestabilizar o governo do Líbano, a impedir que armas e dinheiro sejam encaminhados aos insurgentes no Iraque e a deixar de abrigar terroristas.
"A verdade sobre esse assunto é que esses países têm agora que fazer uma escolha", disse o presidente americano.
"Se eles querem se sentar à mesa com os Estados Unidos, é fácil: apenas tomem algumas decisões que levarão à paz, não ao conflito", acrescentou Bush. "Esses países entendem nossa posição. Eles sabem o que se espera deles."
Já Blair disse que, antes de uma maior aproximação diplomática, Síria e Irã precisam manifestar de maneira clara apoio ao governo democraticamente eleito do Iraque e o desejo de acabar com o sectarismo e o terrorismo.
Ao lado de Blair, o presidente americano reconheceu que a situação no Iraque é "ruim", mas negou que a violência no país seja o resultado de erros de planejamento.
Durante entrevista coletiva conjunta, Bush e Blair admitiram que Estados Unidos e Grã-Bretanha precisam encontrar uma nova maneira de avançar em relação ao Iraque.