05 de dezembro, 2006 - 05h52 GMT (03h52 Brasília)
O ex-líder do regime militar no Chile, Augusto Pinochet, apresentou uma leve melhora na noite de segunda-feira. Seu estado de saúde, porém, permanece grave, segundo a equipe médica que o está tratando em Santiago.
Segundo os médicos, "o risco de morte está diminuindo, mas ainda existe".
O general, de 91 anos, foi submetido a uma cirurgia após sofrer um ataque cardíaco na madrugada de domingo.
Os médicos do hospital militar de Santiago onde o general está internado disseram a repórteres que Pinochet estava "exausto".
Ele deverá permanecer internado sob observação por "pelo menos 10 dias", conforme a equipe médica.
Os médicos tentam evitar uma nova cirurgia.
Legado
Segundo correspondentes, o estado de saúde de Pinochet reacendeu o debate sobre seu legado.
Em 1973, Pinochet liderou um golpe militar que derrubou o governo de esquerda eleito no Chile, liderado pelo então presidente Salvador Allende.
Cerca de 3 mil pessoas desapareceram ou foram assassinadas durante os seus 17 anos de governo.
Pinochet é acusado de violações dos direitos humanos e evasão fiscal.
“Mau gosto”
Centenas de simpatizantes de Pinochet permanecem do lado de fora do hospital, em vigília pelo ex-líder do regime militar chileno.
O porta-voz do governo chileno, Ricardo Lagos Webber, pediu calma à população e disse que o governo está preparado para qualquer possibilidade.
Em meio às notícias sobre a saúde do general, o porta-voz descreveu as especulações sobre preparativos para um eventual funeral do general como rumores "de mau gosto".
Há pouco mais de uma semana, Pinochet aproveitou o seu aniversário de 91 anos para dizer em um comunicado que assumia a responsabilidade política por tudo o que ocorreu durante os 17 anos em que esteve à frente do regime militar no Chile.
No mesmo texto, o general também defendeu suas ações e decisões e disse que se viu obrigado a lutar contra o governo de Allende porque ele estava levando o país ao caos político e social.