03 de dezembro, 2006 - 12h36 GMT (10h36 Brasília)
A crise política no Líbano levou os líderes das nações árabes a tentarem um esforço diplomático para resolver a atual situação, com o presidente da Liga Árabe, Amr Musa, visitando Beirute neste domingo neste domingo para se oferecer como mediador entre governo e oposição.
Emirados Árabes Unidos, Bahrain e Tunísia também enviaram representantes a Beirute para tentar aplacar a crise, que se agravou com o assassinato do ministro cristão Pierre Gemayel.
Os protestos, que são encabeçados pela organização xiita Hezbollah e têm a participação de aliados cristãos, entraram em seu terceiro dia, com os manifestantes continuando acampados no centro da capital libanesa, a algumas centenas de metros da sede do governo, onde o premiê Fouad Siniora está sob proteção do Exército.
Milhares de manifestantes ainda estão nas ruas, exigindo que o gabinete de Siniora renuncie, argumentando que depois da renúncia de seis ministros de oposição, o governo é inconstitucional. Eles acusam o governo de ter uma política muito hostil à Síria e muito pró-americana.
O Hezbollah exige um número de postos no gabinete suficiente para ter poder de veto nas decisões do governo, mas Siniora se recusa a atender a exigência.
Maratona
Mesmo com a situação tensa, centenas de corredores foram às ruas de Beirute neste domingo, para disputar a maratona anual do país, que estava programada para o final de semana passado, mas foi adiada por causa da morte de Gemayel.
Os organizadores do evento tiveram de alterar o trajeto da competição para evitar a área ocupada por manifestantes, mas tiveram garantias das autoridades e do Hezbollah para realizar o evento, que tinha como slogan a frase: "Corra pelo Líbano, Corra pela vida".
Apesar dos protestos terem sido pacíficos até agora, se assemelhando mais a um concerto musical, a situação política no Líbano é extremamente séria, diz o correspondente da BBC em Beirute, Jon Leyne.
A comunidade internacional está se mobilizando para dar apoio ao governo de Siniora. Neste sábado, os ministros das Relações Exteriores da Grã-Bretanha e Alemanha, Margaret Beckett e Frank-Walter Steinmeier respectivamente, foram até Beirute para prestar solidariedade a Fouad Siniora.
O governo de Siniora é o primeiro eleito depois da retirada das tropas sírias no ano passado, que estavam no país desde a guerra civil.
A Síria foi forçada a deixar o Líbano depois da pressão causada pelo assassinato do primeiro-ministro Rafik Hariri, em 2005.