02 de dezembro, 2006 - 20h07 GMT (18h07 Brasília)
Os manifestantes contrários ao governo que passaram a noite de sexta-feira acampados no centro de Beirute protestaram neste sábado pelo segundo dia seguido para pedir a renúncia do primeiro-ministro libanês, Fouad Siniora.
Os participantes dos novos protestos, organizados pelo grupo xiita Hezbollah, paralisaram grandes áreas da região central da cidade.
Os restaurantes e cafés do centro de Beirute, normalmente bastante movimentados nos sábados, foram fechados.
Centenas de simpatizantes do Hezbollah e de seus aliados pró-Síria exigem a renúncia de Siniora com o argumento de que, após a saída de seis ministros da oposição, o governo passou a ser inconstitucional.
Os manifestantes prometem ficar acampados até que o governo renuncie. Siniora diz que não aceitará as pressões e que não renunciará. Alguns de seus ministros foram se juntar a ele na sede do governo, protegida pelo Exército.
O governo libanês está fragilizado depois que vários ministros deixaram os seus cargos e após o assassinato do ministro Pierre Gemayel, um importante político anti-Síria.
Protestos
Na sexta, o Hezbollah organizou uma grande passeata e mobilizou suas forças de segurança para proteger a multidão.
Os manifestantes se concentraram em torno do gabinete de Siniora horas antes de o protesto começar, carregando bandeiras libanesas e gritando slogans como "Queremos um governo limpo".
"Nós viemos a Beirute pedir a queda do governo que monopolizou o processo decisório e não fez nada por nós", disse à agência de notícias francesa AFP Tatiana Atieh, que viajou do norte do Líbano à capital para participar da manifestação.
Segundo o correspondente da BBC em Beirute, Jon Leyne, esta pode ter sido a primeira de muitas ondas de protesto até que o governo de Siniora renuncie.
Leyne diz que os atuais protestos são bastante similares aos que levaram o próprio Siniora ao poder, cerca de 18 meses atrás, quando a influência síria no país diminuiu.
Os manifestantes que acamparam no centro de Beirute levaram suprimentos de água, rádios e até instrumentos musicais para passar o tempo.
'Intimidação'
O primeiro-ministro libanês disse que nenhuma tentativa de tirá-lo do poder à força terá sucesso e acrescentou que se trata de uma "tentativa de golpe".
"A independência do Líbano está ameaçada, e todo os sistema democrático está em perigo", disse Siniora, na última quinta-feira.
Os Estados Unidos descreveram as pressões do Hezbollah como "intimidação". Segundo o embaixador americano nas Nações Unidas, John Bolton, trata-se de uma "tentativa de golpe inspirada pela Síria e pelo Irã".
De acordo com a legislação libanesa, a renúncia ou o assassinato de outros dois ministros causaria automaticamente a queda do governo.