02 de dezembro, 2006 - 09h14 GMT (07h14 Brasília)
Cerca de 300 mil cubanos são esperados neste sábado, em Havana, para as celebrações do 80º aniversário do presidente Fidel Castro.
Contudo, não é certo que o líder possa tomar parte nas comemorações em decorrência de seu estado de saúde ainda precário depois de uma cirurgia no intestino no final de julho.
Depois da intervenção cirúrgica, Fidel não fez mais nenhuma aparição pública e passou o poder para seu irmão, Raúl Castro, levantando dúvidas sobre a gravidade do problema e o sobre futuro político de Cuba.
No início desta semana, Castro cancelou sua presença em um concerto em Havana, alegando precisar de mais tempo para se recuperar e suas últimas imagens, exibidas há mais de um mês, o mostravam de pijamas, ao invés de sua tradicional farda.
Na ocasião, o vice-presidente do país, Carlos Lage, assegurou que Fidel estava bem e que continuaria a governar o país. “Fidel está bem, está se recuperando e continuará nos liderando”, disse Lage, diante de uma platéia de cerca de 5 mil pessoas no teatro Karl Marx, em Havana.
“E quando não houver mais Fidel, haverá o seu legado, suas idéias, seu exemplo, porque a revolução em Cuba é irreversível”, afirmou, de acordo com a agência de notícias Reuters.
Mensagem
A data serve também para comemorar o 50º aniversário do retorno de Fidel do México, país onde esteve exilado.
Para as celebrações, desfiles de tanques, lançadores de mísseis e de antigos caças Mig soviéticos estão programados pra ocorrer na Plaza de La Revolución, em Havana, capital do país.
Observadores dizem que o desfile militar quer, além de celebrar a data, também mandar uma mensagem aos arquiinimigos dos Estados Unidos, lembrando que a ilha ainda é capaz de lutar, além de dissuadir exilados cubanos da idéia de tentar alguma coisa contra o regime neste momento delicado.
Presenças importantes, como as do escritor colombiano Gabriel García Márquez, estão confirmadas. “Fico feliz de vir ao 80º aniversário de Fidel e depois virei ao seu centenário”, disse Márquez, ao desembarcar na capital cubana.
Segundo o correspondente da BBC em Havana, Stephen Gibbs, a presença de Fidel no evento é esperada com ansiedade, pois uma outra ausência aumentaria as dúvidas sobre a capacidade do líder de se recuperar.