01 de dezembro, 2006 - 11h29 GMT (09h29 Brasília)
O primeiro-ministro do Líbano, Fouad Siniora, afirmou que seu governo não será derrubado por protestos liderados por grupos de oposição pró-Síria.
Em um pronunciamento em rede nacional de televisão, Siniora afirmou: "Não vamos permitir nenhum golpe contra nosso sistema democrático".
As afirmações foram feitas antes de uma grande manifestação contra o governo, convocada pelo grupo militante Hezbollah e seus aliados.
Milhares de soldados libaneses e a polícia foram destacados para fazer a segurança em Beirute.
Além da presença de soldados no centro da capital libanesa, forças terrestres com o apoio de tanques e veículos blindados assumiram postos de segurança nas entradas da cidade.
Crise
As tensões aumentaram no Líbano depois que um ministro de oposição à Síria, Pierre Gemayel, foi morto no dia 21 de novembro, levando ministros simpáticos a Damasco - cinco xiitas e um aliado cristão - a deixar o governo.
O grupo xiita Hezbollah acusou o premiê Siniora de liderar um governo que falhou em sua missão.
Em seu discurso, Siniora pediu que os libaneses permaneçam fortes firmes diante das ameaças contra seu governo.
"Não vamos permitir nenhum golpe contra nosso regime democrático. Estamos determinados a permanecer em nosso caminho. Nosso governo é legítimo e constitucional, e tem a confiança do Parlamento", declarou.
O presidente libanês, Emile Lahoud, que defende a influência síria no Líbano, disse que as renúncias tornaram o governo inconstitucional.
Os ministros renunciaram depois que o governo se recusou a dar mais pastas - e mais poder - ao Hezbollah e seus aliados.
Investigação da ONU
Se atendidas, as demandas do Hezbollah dariam ao grupo poder de veto nas decisões do governo.
Desde então, o Hezbollah tem feito pressão sobre o primeiro-ministro, ameaçando convocar grandes massivos.
Na quinta-feira o líder do Hezbollah, Hassan Nasrallah, fez um discurso na televisão, e pediu que os libaneses engrossem os protestos.
"Pedimos a todos os presidentes, de cada região e movimento político, que participem de uma demonstração pacífica e civilizada na sexta-feira, para livrar o país de um governo incapaz que falhou em sua missão", disse.
A oposição, que é favor da Síria, também condenou a decisão do governo de aprovar o plano para um tribunal internacional que vai julgar suspeitos dos assassinato do ex-premiê Hafiq Hariri.
A Síria é acusada de estar por trás do caso, mas nega as alegações.
Um inquérito da ONU implicou autoridades sírias na morte de Hariri, em 2005.