29 de novembro, 2006 - 11h52 GMT (09h52 Brasília)
No segundo dia de sua visita à Turquia, nesta quarta-feira, o papa Bento 16 rezou uma missa na cidade histórica de Éfeso, no local onde se acredita que tenha sido a última residência da Virgem Maria.
Um grupo de cerca de 250 convidados presenciou a cerimônia, realizada ao ar livre ao lado da pequena casa de pedra, que atrai peregrinos do mundo inteiro.
Toda a área foi isolada por um forte esquema de segurança.
Éfeso foi um importante centro de cristandade durante os impérios Romano e Bizantino.
Igreja Ortodoxa
Depois de Éfeso, Bento 16 deve seguir para Istambul, a maior cidade turca, onde se encontra com o líder espiritual da Igreja Ortodoxa.
O encontro com o patriarca Bartolomeu 1º - guia espiritual dos cerca de 250 milhões de cristãos ortodoxos em todo o mundo - é o motivo original da visita do papa.
Bento 16 foi convidado a visitar a Turquia para promover uma reaproximação entre as duas Igrejas, após séculos de rixas.
Mas o correspondente da BBC na Turquia disse que o objetivo da visita ao patriarca é também afastar a imagem de Bento 16 da controvérsia envolvendo seus comentários recentes sobre o islamismo.
Durante uma palestra, em setembro, o papa citou a frase de um imperador bizantino que caracterizou o islamismo como uma religião violenta. Em reação à referência, protestos de muçulmanos surgiram em todo o mundo.
Protestos
A visita do papa, que começou nesta terça-feira pela capital, Ancara, está sendo marcada por protestos de muçulmanos contrários à sua presença no país.
Dezenas de milhares de pessoas foram às ruas de Istambul no fim de semana pedir que o papa não viajasse à Turquia, e para forçá-lo a se desculpar por comentários sobre o islamismo.
A segurança foi reforçada para a visita de quatro dias, com 15 mil policiais mobilizados para proteger o pontífice.
Em Istambul, o papa também deve se encontrar com líderes religiosos e visitar a famosa Mesquita Azul, e celebrar uma missa na Catedral da cidade.