27 de novembro, 2006 - 18h11 GMT (16h11 Brasília)
O primeiro-ministro de Israel, Ehud Olmert, ofereceu a retirada de (amplos) territórios palestinos e o desmantelamento de assentamentos em mais uma tentativa de reavivar os esforços de paz com o povo palestino, no momento em que os dois lados tentam manter um novo cessar-fogo na Faixa de Gaza.
Em um discurso realizado na cerimônia anual de homenagem ao fundador de Israel, David Ben-Gurion, no deserto de Negev, Olmert também prometeu incentivos humanitários e econômicos aos palestinos em troca da libertação de um soldado israelense capturado na Faixa de Gaza e do abandono da violência.
Olmert disse que os palestinos estão em uma "encruzilhada histórica" que trará melhorias significativas às suas vidas se eles escolherem o caminho da paz.
"Nós vamos concordar em nos retirar de amplos territórios, e desmantelar assentamentos que estabelecemos", afirmou, ressaltando no entanto que os palestinos têm de estabelecer um governo comprometido com a paz com Israel.
Em troca, Olmert disse que poderia libertar palestinos condenados a longas penas em prisões israelenses, suspender restrições à movimentação de palestinos nos territórios ocupados e concordar com a criação de um Estado palestino viável, que teria continuidade territorial.
Reação palestina
O discurso do primeiro-ministro israelense ocorre em um momento em que aumenta a atividade diplomática no Oriente Médio, com uma visita do presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, à Jordânia programada para esta semana.
Assessores do presidente da Autoridade Palestina, Mahmoud Abbas, afirmam que as negociações entre israelenses e palestinos devem recomeçar de maneira imediata e incondicional.
No entanto, o grupo militante palestino Hamas, que venceu as eleições parlamentares de janeiro, expressou suspeita em relação ao discurso de Olmert e pediu o fim das ações militares israelenses na Cisjordânia e na Faixa de Gaza.
Ghazi Hamad, porta-voz do governo palestino comandado pelo Hamas, descreveu o discurso de Olmert como uma "conspiração" e "uma nova manobra".
"Olmert fala sobre o Estado palestino sem dar detalhes sobre as fronteiras", protestou Hamad.
Sinais positivos
De acordo com Jon Leyne, correspondente da BBC em Jerusalém, todas as promessas que o primeiro-ministro israelense fez nesta segunda-feira já haviam sido feitas em outras ocasiões.
Para o correspondente, a importância está no contexto em que elas foram feitas agora. Leyne diz que a manifestação desta segunda-feira procura somar-se a outros "sinais positivos" enviados à região na ultima semana.
Além disso, desde domingo um cessar-fogo entre Israel e os palestinos vai se mantendo na Faixa de Gaza.
Mas grupos militantes palestinos advertiram que a trégua pode fracassar se Israel não suspender suas operações militares na Cisjordânia.
Mais cedo, soldados israelenses mataram a tiros duas pessoas - um militante dos comitês de Resistência Popular, e uma mulher de 55 anos - em uma operação na cidade de Qabatiya, perto de Jenin, no norte da Cisjordânia.
A agência de notícias oficial palestina disse que a mulher foi morta a tiros quando foi ajudar o militante ferido. O Exército israelense disse que ela estava tentando pegar a sua arma.
Nos últimos quatro meses houve uma escalada da violência na Faixa de Gaza, em que mais de 300 palestinos morreram, inclusive muitos civis. Cinco israelenses também morreram.