26 de novembro, 2006 - 16h55 GMT (14h55 Brasília)
De acordo com um documento secreto do governo americano, os insurgentes iraquianos teriam chegado à auto-suficiência financeira.
A conclusão foi tirada pelo jornal The New York Times, em artigo publicado neste domingo.
O NYT teria tido acesso a uma cópia desse documento, que diz que um valor entre US$ 70 milhões e US$ 150 milhões (algo entre R$ 150 mi e R$ 320 milhões) seriam levantados anualmente pelos insurgentes através de atividades ilegais como contrabando de petróleo e seqüestros.
A venda de óleo no mercado negro renderia por volta de US$ 100 milhões (R$ 150 milhões), enquanto o dinheiro vindo dos resgates representaria US$ 36 milhões (R$ 78 mi).
Críticas
O primeiro-ministro iraquiano, Nouri Al-Maliki, afirmou em Bagdá que as explosões de quinta-feira são “atos de criminosos e terroristas”, e afirmou que a responsabilidade de encerrar o derramamento de sangue no país é dos políticos
Maliki, que é xiita, se encontrou com líderes sunitas e curdos para tentar compor uma aliança nacional.
“Esta crise é política e são os políticos que precisam parar com a violência e com o derramamento de sangue”, disse o premiê Maliki. “Sejamos honestos: tudo isso é reflexo da dissensão política”.
Maliki está sob pressão de grupos sunitas e xiitas contrários ao encontro que ele tem marcado com o presidente americano, George W. Bush, a acontecer na Jordânia.
“Vamos resolver todos os problemas. Continuaremos a discutir sobre a segurança do país e os grupos estão muito mais próximos hoje”, adicionou o presidente do Iraque, Jalal Talabani.
Violência
Um de seus aliados, o clérigo xiita Moqtada Sadr, ameaçou tirar seu apoio ao governo caso Maliki se encontre com Bush, gesto que poderia fragilizar ainda mais o regime do premiê.
Neste domingo, a violência não deu trégua no país, com relatos de duros combates entre forças tribais e insurgentes da Al-Qaeda na província de Anbar, a oeste da capital iraquiana.
O Exército americano informou que fez ataques aéreos e de artilharia para dar apoio à tribo de Abu Soda, que é aliada do governo iraquiano.
Segundo fontes ligadas às tribos, os confrontos deixaram pelos menos 45 mortos entre os insurgentes e nove entre as forças tribais.
Em Baquba, 50 km a noroeste de Bagdá, 21 pessoas de diferentes origens foram capturadas por homens armados.