25 de novembro, 2006 - 20h38 GMT (18h38 Brasília)
O ex-presidente do Chile, Augusto Pinochet, pela primeira vez aceitou a responsabilidade política por tudo o que aconteceu durante os seus dezoito anos no poder
Em um raro comunicado emitido pelo ex-presidente, lido pela sua esposa no dia em que ele completa 92 anos, ele defendeu o sangrento golpe que derrubou o então presidente, Salvador Allende, do poder.
Pinochet disse que tomou todas as suas atitudes pensando em defender os interesses de seu país e condenou os julgamentos de militares – entre os quais, ele mesmo - por abusos contra direitos humanos que estão em andamento.
Segundo Pinochet, não é justo que eles sejam punidos por ter tentado evitar uma crise econômica e política no Chile. O ex-presidente também adicionou que seu governo deixou um país moderno e vigoroso.
Imunidade
Pinochet tem imunidade legal por ser ex-presidente, mas os tribunais podem retirar este privilégio em alguns casos. Isto ocorreu, por exemplo, com vários casos de abuso de direitos humanos e irregularidades financeiras.
O ex-líder já cumpriu prisão domiciliar durante sete semanas no ano passado, por causa do desaparecimento de três dissidentes durante seu mandato.
Ele ainda precisa ser julgado por todos os casos, entre os quais alguns já foram retirados por causa de seu precário estado de saúde.
Os advogados de Pinochet argumentaram que ele está muito doente para enfrentar um julgamento.