25 de novembro, 2006 - 18h59 GMT (16h59 Brasília)
O gabinete libanês aprovou a proposta da Organização das Nações Unidas (ONU) para o julgamento dos acusados pelo assassinato do assassinato do ex-premiê Rafiq Hariri, ocorrido no ano passado.
A reunião foi boicotada pelos membros da oposição, contrária ao governo pró-Ocidente, liderado pelo primeiro-ministro, Fouad Siniora.
A aprovação do projeto deve ser encarada como uma provocação à oposição xiita e há temores de que a violência entre grupos rivais se acentue, já que a tensão é grande depois da morte do ministro Pierre Gemayel, na última terça-feira – o sexto político a ser assassinado no Líbano nos últimos dois anos.
“O gabinete aprovou o esboço de projeto para a criação de um tribunal especial internacional no Líbano”, afirmou o ministro da Informação, Ghazi Aridi, dizendo que o texto agora seria encaminhado ao Parlamento “para ser votado como um projeto de lei”.
Hezbollah
A oposição, que é liderada pelo partido Hezbollah, argumenta que o atual governo está tomando uma medida inconstitucional e que o boicote é uma tentativa de lutar por uma maior representatividade, e promete protestos para pressionar por um governo de união nacional.
Tecnicamente, Siniora precisa do apoio do presidente do Parlamento, Nabih Berri, que não compareceu à sessão de hoje.
Berri é do partido Amal, aliado ao Hezbollah e cinco dos seis ministros que renunciaram nas últimas semanas, em protesto contra o governo de Fouad Siniora.
Segundo Berri, a reunião foi irregular porque segundo a constituição, seria necessária a autorização do presidente libanês, Emile Lahoud.
Membros do governo de Fouad Siniora dizem que a Síria está por trás das manobras para impedir a formação do tribunal porque investigações prévias da ONU ligam o assassinato de Hariri a altos escalões do governo sírio.