25 de novembro, 2006 - 02h34 GMT (00h34 Brasília)
O Brasil estreou com vitória no Campeonato Mundial de Futebol de Salão para Cegos, iniciado nesta sexta-feira em Buenos Aires, na Argentina.
No primeiro jogo do campeonato, a seleção brasileira venceu a França por 4 a 1.
Apenas oito seleções se classificaram para o Mundial: Argentina, Brasil, Espanha, França, Inglaterra, Paraguai, Coréia do Sul e Japão.
Os defensores do título são os argentinos, mais conhecidos como "Os Morcegos".
"Nosso objetivo é conseguir ficar com o título, para que a Copa continue a acontecer na Argentina", disse Silvio Velo, capitão da seleção argentina, à BBC.
Como no futebol convencional, a rivalidade dos argentinos com os brasileiros - os campeões anteriores - é a mesma. "Espero que enfrentemos o Brasil e que seja na semifinal ou na final. É essa a partida que as pessoas querem jogar", disse Velo.
Jogar de ouvido
Cada equipe tem cinco integrantes, quatro deles cegos que usam máscaras e correm o tempo todo com a cabeça erguida. O quinto jogador, o goleiro, enxerga.
Os times jogam ao ar livre em dois tempos de 25 minutos, com um intervalo de dez minutos.
A quadra também tem várias particularidades. O campo é de cimento ou azulejo, mede 40 metros por 20 metros e as linhas laterais possuem cercas que servem para guiar os jogadores.
E, diferenterentemente do que acontece nas partidas de futebol comuns, pede-se silêncio aos espectadores, como no tênis.
Deste modo, os jogadores podem falar uns com os outros para coordenar os passes e, sobretudo, escutar a bola, que tem chocalhos.
Mas há outras coisas que os jogadores devem ouvir: as orientações do goleiro para a zaga, do treinador no meio de campo e um "chamador" atrás do gol rival.
Entrosamento
"Não sei se é mais difícil do que o futebol comum, só diria que é muito diferente", disse à BBC José López Ramírez, capitão da seleção espanhola.
"Provavelmente o mais complicado é se posicionar bem no campo, mudar de posição e ficar atendo à situação do jogo o tempo todo."
"O bom é que já nos conhecemos e inventamos que quem tem a bola diz 'minha', 'saímos' ou 'vamos', algo que seja permitido, combinado com o som da bola, para saber quem tem a posse. É importante falar muito", afirmou Ramírez.
Quando um jogador quer marcar um rival, deve gritar "vou" para tornar sua posição conhecida. Um árbitro e um assistente seguem o jogo atentamente.
"Não há muitas faltas e há menos pancadas do que as pessoas imaginam devido ao fato de serem jogadores cegos", diz o capitão espanhol.
Este mundial, o quarto a ser disputado, acontece até 30 de novembro no Centro Nacional de Alto Rendimento Desportivo (Cenard) de Buenos Aires, que tem capacidade para 2 mil pessoas.
"Esperamos muitos espectadores porque muita gente na Argentina se encantou com os 'Morcegos' e está interessada em ver o resto das equipes", disse Daniel Hoffmann, um dos organizadores.