25 de novembro, 2006 - 23h30 GMT (21h30 Brasília)
Mais de 200 mil pessoas participaram de uma passeata em Madri, capital da Espanha, para protestar contra a decisão do governo espanhol de negociar com o Exército Separatista Basco, o ETA.
O governo espanhol liderado pelo primeiro-ministro, Jose Luis Rodriguez Zapatero, abriu negociações com o ETA depois que um cessar-fogo permanente foi anunciado.
Contudo, os organizadores da manifestação, a Associação das Vítimas de Terrorismo, se opõem a qualquer tipo de negociação com a organização basca.
De acordo com a agência de notícias Reuters, os manifestantes carregavam bandeiras espanholas e faixas com os dizeres: “Render-se em meu nome. Não!”.
Muitos também acusavam o ETA de ter participado dos atentados de Madri em 2004, quando 191 pessoas morreram, embora investigadores internacionais tenham afirmado que o exército basco não teve responsabilidade.
Oposicionistas no manifesto
Políticos de oposição, como o ex-premiê espanhol, Jose Maria Aznar, participaram da passeata.
De acordo com a Reuters, a teoria de que o ETA participou dos atentados de Madri foi sustentada pelo jornal de direita El Mundo e informalmente apoiada pelo Partido Popular, que se opõe ao atual governo.
“Achamos que o que o governo está fazendo é beneficiar os terroristas”, disse Jose Francisco Alcaraz, da Associação das Vítimas de Terrorismo, em entrevista à Reuters.
Zapatero disse que sua administração está tentando avaliar se o ETA pretende mesmo depor as armas definitivamente, depois que foi considerado culpado de roubar centenas de armas na França.
Apesar dos esforços de Zapatero, o partido político Batasuna, que foi banido pelas suas conexões com a organização basca, diz que as negociações de paz só avançarão quando o partido for incluído nas discussões.
Supõe-se que o ETA tenha matado mais de 800 pessoas desde que iniciou as suas atividades há mais de 30 anos.