23 de novembro, 2006 - 13h35 GMT (11h35 Brasília)
O primeiro-ministro da Etiópia, Meles Zenawi, disse que o país tomou medidas para se preparar para um conflito com os grupos muçulmanos liderados pela União de Cortes Islâmicas, que controla a maior parte do sul da Somália.
Os líderes islâmicos somalis vêm declarando uma "guerra santa" contra a Etiópia, que eles acusam de ter enviado milhares de soldados para defender seus rivais do governo de transição do país.
O grupo nega acusações feitas pelos governos etíope e somali de que tenha ligações com a rede al-Qaeda.
A Somália não tem um governo formal há mais de 15 anos, desde a queda de Siad Barre, em 1991.
O governo de transição subiu ao poder há dois anos, mas não conseguiu exercer nenhum tipo de controle.
Declaração de guerra
O premiê etíope disse que não acredita que já foram esgotadas todas as vias de negociações pacíficas com a União de Cortes Islâmicas.
Mas, segundo ele, o governo da Etiópia não pode fechar seus olhos ou olhar para o outro lado quando o país está sendo atacado.
"Esse grupo representa uma ameaça clara", disse Meles a parlamentares.
Políticos da oposição dizem que a resolução apresentada pelo partido governista, pedindo para que o Congresso apóie qualquer medida necessária na crise, significa uma declaração de guerra contra a Somália.
Alguns analistas temem uma guerra regional que poderia incluir também a Eritréia, que é vista como aliada dos grupos islâmicos somalis.
Um relatório da Organização das Nações Unidas (ONU), divulgado neste mês, acusou a Etiópia e a Eritréia, entre outros países, de violarem um embargo internacional ao fornecerem armas para a Somália.
A Etiópia estaria enviando armas ao frágil governo somali, enquanto a Eritréia estaria apoiando a oposição islâmica.
O premiê etíope nega as acusações, mas admite ter centenas de instrutores militares na Somália.
A Eritréia também nega que tenha enviado armas para os islamistas.