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21 de novembro, 2006 - 18h56 GMT (16h56 Brasília)

Fonte diz que tentou avisar ex-espião russo sobre ameaças

Uma fonte do ex-espião russo Alexander Litvinenko disse em Roma que tentou alertar o russo sobre ameaças contra sua vida. O russo está internado em estado grave em um hospital em Londres por envenenamento.

O italiano Mario Scaramella, especialista em espionagem, disse nesta terça-feira, em uma coletiva de imprensa na capital italiana, que se encontrou com Litvinenko pessoalmente em um sushi bar em Londres no dia 1º de novembro para conversar sobre um e-mail que continha ameaças contra os dois.

Litvinenko ainda não havia lido a mensagem. Quando Scaramella o contatou novamente, ainda no mesmo dia, o russo já estava passando mal.

Segundo o correspondente da BBC em Roma, Christian Fraser, Scaramella e Litvinenko trabalharam juntos em uma investigação do Parlamento italiano sobre atividades da KGB, o antigo serviço secreto soviético.

Agora, Scaramella trabalha para Organização Marítima Internacional, das Nações Unidas.

Tálio

O hospital que está tratando o ex-espião em Londres anunciou que é pouco provável que Litvinenko tenha sido envenenado por tálio, como se acreditava até então.

Anteriormente, o médico que cuida do caso tinha dito que ele suspeitava que Litvinenko tinha sofrido envenenamento radioativo e químico causado pelo tálio. Em Roma, Scaramella disse que a inteligência russa é conhecida por usar substâncias radioativas para rastrear dinheiro fraudado pela máfia do país.

Segundo o último boletim médico emitido pelo University College Hospital, Litvinenko permanece em estado grave e internado na unidade de terapia intensiva.

Amigos de Litvinenko acreditam que ele foi envenenado devido às críticas que fazia ao governo russo.

O governo da Rússia afirmou na segunda-feira que é “pura bobagem” a acusação de que o Kremlin estaria por trás do envenenamento.

“Nós não podemos comentar o que aconteceu exatamente com Litvinenko”, disse o porta-voz do governo russo, Dmitry Peskov.

“Nós não consideramos possível comentar as declarações acusando o Kremlin porque elas não são nada além de pura bobagem.”

Litvinenko estava investigando a morte da jornalista russa Anna Politkovskaya, que criticava o governo Putin e a política da Rússia para a Chechênia. Ela foi morta a tiros no prédio onde morava em Moscou, em outubro.