21 de novembro, 2006 - 01h34 GMT (23h34 Brasília)
Dezenas de milhares de pessoas acompanharam nesta segunda-feira a uma cerimônia de posse simbólica do candidato derrotado à presidência do México, Andrés Manuel López Obrador.
Durante o evento, realizado no Zócalo, a principal praça da Cidade do México, o candidato esquerdista afirmou que estava lançando um "governo paralelo".
Obrador, candidato pelo Partido da Revolução Democrática (PRD), alega que foi vítima de fraude nas eleições de julho e tem o apoio de milhões de mexicanos.
Alguns de seus apoiadores, no entanto, consideram sua posse simbólica imprudente e politicamente irresponsável.
Obrador perdeu as eleições presidenciais para o candidato governista, Felipe Calderón, do Partido da Ação Nacional (PAN), por uma diferença de menos de um ponto percentual.
Cerimônia
Obrador foi investido pela senadora Rosario Ibarra, membro de seu partido.
"Eu juro honrar e cumprir a Constituição como presidente legítimo", afirmou Obrador, diante da multidão.
Ele prometeu fazer tudo o que puder para dificultar o governo de Calderón, que irá substituir o atual presidente, Vicente Fox, em 1º de dezembro.
Analistas acreditam que, apesar de ter uma base de apoio suficiente para criar um movimento de desobediência civil em massa, Obrador conseguirá com essa campanha, no máximo, ser um tormento para Calderón.
Segundo Will Grant, editor da BBC Americas, muitos mexicanos estão cansados do conflito e querem que a situação volte ao normal.
O correspondente afirma que alguns dos conselheiros de Obrador concordam que esse seria o movimento político adequado, principalmente levando-se em conta uma disputa presidencial futura.
Conforme correspondentes, ainda não está claro o que Obrador pode alcançar com esse governo alternativo.