21 de novembro, 2006 - 16h06 GMT (14h06 Brasília)
Ativistas da organização israelense Peace Now acusaram o Estado de Israel de violar as suas próprias leis ao confiscar terras de palestinos na Cisjordânia para construir assentamentos judaicos.
A ONG divulgou um relatório nesta terça-feira em que diz que a maioria dos assentamentos foi construída parcial ou inteiramente em terras de palestinos e não no que o governo israelense define como sua propriedade.
De acordo com os ativistas, 38,8% das terras usadas para assentamentos pertenciam a palestinos.
"Por muito tempo, autoridades israelenses fingiram que os assentamentos eram construídos em terra estatal, agora foi provado que eles estavam errados", afirmou o porta-voz da Peace Now, Yaariv Oppenheimer, durante uma entrevista coletiva em Jerusalém.
Governo não comenta
Os ativistas citaram como exemplo o maior assentamento da Cisjordânia, o de Maale Adumim, que teria 86% da sua área em terras palestinas.
A Peace Now enviou um relatório ao procurador-geral de Israel, Meni Mazuz, exigindo que o governo investigue a sua acusação.
De acordo com a agência de notícias Associated Press, o grupo diz que a conclusão é baseada em dados fornecidos pelo Exército israelense por determinação judicial.
O governo israelense não comentou a acusação.
Cerca de 240 mil colonos judeus e 2,4 milhões de palestinos vivem na Cisjordânia, que foi ocupada por Israel na guerra de 1967. Os assentamentos são considerados ilegais de acordo com as leis internacionais, mas Israel contesta essa avaliação.
Em 1990, o país instituiu o congelamento da construção de assentamentos, em cumprimento de um acordo de paz assinado com os palestinos, mas se reservou o direito de expandir colônias para acompanhar o crescimento populacional.
Em 2003, o então primeiro-ministro Ariel Sharon concordou em congelar também o crescimento natural, embora tenham surgido assentamentos clandestinos desde então.
Em 2005, cerca de 8,5 mil colonos foram retirados da Faixa de Gaza, como parte de um plano unilateral proposto por Sharon.