20 de novembro, 2006 - 19h11 GMT (17h11 Brasília)
O governo da Rússia afirmou nesta segunda-feira que é "pura bobagem" a acusação de que o Kremlin estaria por trás do envenenamento de um ex-espião russo em Londres.
Nesta segunda-feira, Alexander Litvinenko, um ex-coronel da KGB exilado na Grã-Bretanha e envenenado pelo metal altamente tóxico tálio, voltou para a unidade de terapia intensiva em um hospital de Londres.
Litvinenko, de 43 anos, era um crítico ferrenho do presidente russo Vladimir Putin e ficou doente depois de se encontrar com uma fonte em um restaurante de comida japonesa no dia 1º de novembro.
"Nós não podemos comentar o que aconteceu exatamente com Litvinenko", disse o porta-voz do governo russo, Dmitry Peskov.
"Nós não consideramos possível comentar as declarações acusando o Kremlin, porque elas não são nada além de pura bobagem."
Estado grave
O estado de Litvinenko é grave, porém estável. Médicos afirmam que ele foi transferido para a unidade de terapia intensiva como medida de prevenção, depois de ter apresentado uma leve piora.
O toxicologista clínico John Henry afirmou que ele foi envenenado com uma dose potencialmente letal de tálio.
Um amigo de Litvinenko disse à BBC que, segundo os médicos, as chances de sobrevivência do russo são de 50%.
Litvinenko estava investigando a morte da jornalista russa Anna Politkovskaya, que criticava o governo Putin e a política da Rússia para a Chechênia. Ela foi morta a tiros no prédio onde morava em Moscou, em outubro.
Na semana passada, Litvinenko disse à BBC, antes que seu estado de saúde se agravasse, que seu contato o procurou e disse que precisavam conversar.
"Ele me deu alguns papéis que continham alguns nomes - talvez os nomes de pessoas que podiam estar envolvidas no assassinato de Anna Politkovskaya, e várias horas depois do encontro eu comecei a me sentir mal."
Depois de duas semanas, sua saúde piorou e o ex-agente russo foi hospitalizado.
Litvinenko fugiu da Rússia e conseguiu asilo político na Grã-Bretanha em 2001. Em outubro de 2004, a casa do russo em Londres foi alvo de um atentado com bomba.
A Scotland Yard confirmou que está investigando uma "suspeita de envenenamento", mas não foram feitas prisões e a investigação continua. No domingo, policiais interrogaram Litvinenko no hospital por várias horas.