19 de novembro, 2006 - 12h38 GMT (10h38 Brasília)
A polícia britânica está investigando o suposto envenenamento de um ex-coronel da KGB exilado na Grã-Bretanha.
Alexander Litvinenko, um crítico ferrenho do presidente russo Vladimir Putin, disse à BBC que ficou doente depois de se encontrar com um contato em um restaurante de comida japonesa no dia 1º de novembro.
Litvinenko vinha investigando o assassinato da jornalista russa Anna Politkovskaya, ocorrido em Moscou, no mês passado.
Ele recebeu tratamento hospitalar por envenenamento por tálio - um metal altamente tóxico - e continua em estado grave em um hospital no centro de Londres.
Amigos de Litvienko dizem que ele perdeu os cabelos e tem dificuldade para falar.
Encontro
Litvinenko disse à BBC na semana passada, antes que seu estado de saúde se agravasse, que seu contato o procurou e disse que precisavam conversar.
"Ele me deu alguns papéis que continham alguns nomes - talvez os nomes de pessoas que podiam estar envolvidas no assassinato de Anna Politkovskaya, e várias horas depois do encontro eu comecei a me sentir mal."
Depois de duas semanas sua saúde piorou e o ex-agente russo foi hospitalizado.
Politkovskaya, muito crítica de Putin e da política russa para a Chechênia, foi morta a tiros no prédio em que morava na capital russa.
Ela estava entre os poucos jornalistas russos que escreviam sobre supostas violações de direitos humanos na Chechênia e recebeu ameaças de morte no passado.
Politkovskaya sofreu uma intoxicação alimentar quando seguia para Beslan, onde faria reportagens sobre o cerco a uma escola em 2004, e alguns acreditam que pode ter se tratado de um atentado contra a sua vida.
Em 2001, ela fugiu para Viena, na Áustria, depois de receber ameaças por e-mail, voltando depois para a Rússia.
Duas semanas após sua morte, a secretária de Estado americana, Condoleezza Rice, se reuniu com parentes e colegas da jornalista durante uma visita a Moscou.
Rice manifestou preocupação com o destino de jornalistas na Rússia.