17 de novembro, 2006 - 02h30 GMT (00h30 Brasília)
Auditores do Congresso americano acusaram a agência de desenvolvimento USAID de não conseguir administrar de maneira apropriada seu programa para promover a democracia em Cuba.
Os auditores do Escritório de Responsabilidade do Governo americano (GAO, na sigla em inglês) afirmam que a USAID destinou dezenas de milhões de dólares, por meio de grupos de exilados cubanos em Miami, que, em algumas ocasiões, eram desperdiçados ou mantidos em contas bancárias suspeitas.
O relatório afirma que as organizações enviaram produtos como chocolate e coletes de lã do tipo cashmere para Cuba.
Auditores também mencionaram o alto custo para conseguir doações para Cuba.
"Realizamos testes limitados em dez beneficiados e identificamos despesas questionáveis e fraquezas internas significativas no controle com três beneficiados, que a USAID não tinha detectado", afirmaram os autores dos relatório.
Correspondentes afirmam que as descobertas vão danificar a reputação de organizações cubanas-americanas em Washington.
Mas críticos afirmam que a ajuda do governo americano visa, na verdade, conseguir os votos dos exilados cubanos na Flórida, mais do que realmente tentar mudar Cuba.
Doações
O relatório descobriu que, na última década, a USAID fez 40 doações ou acordos cooperativos totalizando US$ 65 milhões e o Departamento de Estado fez quatro doações no valor de US$ 8 milhões para dar apoio ao progresso democrático em Cuba.
A organização USAID forneceu 174.635 quilos de medicamentos, alimentos e roupas, mais de 23 mil rádios de ondas curtas e milhões de livros, boletins e outros materiais de informação.
Os auditores afirmam no relatório que entrevistaram dissidentes em Cuba, que afirmaram ter apreciado a ajuda.
Mas o relatório conclui que 30% dos grupos de exilados que receberam doações da organização USAID mostraram gastos questionáveis.
Os auditores também afirmaram que algumas provas de despesas pareciam altas demais.
O governo Bush prometeu recentemente aumentar sua assistência para promover a democracia em Cuba, mas alguns congressistas afirmam que, depois do relatório, vão tentar colher depoimentos a respeito do programa.
A USAID, por sua vez, afirma que tomou medidas para atender às recomendações do relatório.
Lisa Fiely, chefe do setor financeiro da organização, afirmou em uma carta aos auditores que a agência questiona algumas descobertas no esboço do relatório, mas "vai tentar melhorar a performance da agência no gerenciamento, monitoramento e avaliação desta assistência".