16 de novembro, 2006 - 17h13 GMT (15h13 Brasília)
O candidato derrotado nas eleições presidenciais na República Democrática do Congo, Jean-Pierre Bemba, rejeitou nesta quinta-feira os resultados anunciados pelas autoridades do país, que deram a vitória ao atual presidente, Joseph Kabila.
"Sinto ter de dizer a nosso povo e à comunidade internacional que não posso aceitar esses resultados", disse Bemba, em comunicado.
"Prometo utilizar todos os meios legais para assegurar que o desejo de nosso povo será respeitado."
Na quarta-feira, a Comissão Eleitoral congolesa anunciou que Kabila recebeu 58,05% dos votos, enquanto Bemba teve 41,95%. Os resultados ainda devem ser confirmados pela Suprema Corte.
Ao saber da vitória, Kabila emitiu um comunicado em que pede "calma e irmandade" à população. Segundo ele, o país virou uma página de sua história.
Tropas
Tropas internacionais foram enviadas à capital, Kinshasa, para evitar episódios de violência, como os que marcaram os dois turnos da eleição.
Mas partidários de Bemba negaram que vão recorrer à violência para contestar os resultados das urnas.
"As pessoas estavam esperando que apresentássemos um plano de guerra. Mas não estamos inclinados a isso", disse à agência France Presse um dos assessores do candidato da oposição, Fidele Babala.
"Em nível legislativo, temos nossos deputados na Assembléia Nacional e vamos cumprir nosso papel como oposição", ele afirmou.
Democracia
Para a ONU, esta corrida presidencial é a mais importante da África desde a que levou à vitória de Nelson Mandela na África do Sul, em 1994.
As eleições foram as primeiras plenamente democráticas no Congo desde a independência do país em 1960 e após uma guerra civil que durou cinco anos.
Observadores internacionais vinham pedindo que os candidatos se abstivessem de emitir julgamentos até que os resultados finais fossem anunciados.
Uma força de paz composta por 17 mil soldados – o maior contingente deste tipo no mundo – permaneceu no país durante as eleições. Em meio à tensão política, conflitos ocorreram sobretudo em Kinshasa, onde a oposição tinha mais apoio.
Uma missão do Centro Carter - uma organização, fundada pelo ex-presidente americano Jimmy Carter, que monitora eleições em todo o mundo - afirmou acreditar que era praticamente impossível haver fraude, depois da contagem de todos os votos em cada zona eleitoral.